Do Boletim da Assembleia da República COMUNICAR, Janeiro 2018:
«Na sessão de 15 de
janeiro de 1972 da Assembleia Nacional, Francisco Sá Carneiro, Deputado
da denominada Ala Liberal, denuncia a atuação da Direção-Geral de
Segurança como atentatória dos direitos humanos, referindo diversas
queixas por “prisões e buscas sem mandados”, pelos “métodos de
interrogatórios praticados, durante os quais se não admite a presença de
advogado dos suspeitos presos”, assim como pelo regime prisional da
Cadeia de Caxias.
O Deputado exige o
respeito da legalidade, com a presença de advogado nos interrogatórios,
garantia do tratamento justo das pessoas, preservando-as de qualquer
“coação física e moral”, e, simultaneamente, da própria credibilidade
das autoridades instrutórias. Sá Carneiro refere que se trata apenas de
defender o cumprimento da lei, pois a “investigação não é, não pode
nunca ser, obtenção de confissões”.
(...)
Por entre interrupções e
apartes, Sá Carneiro prossegue solicitando o fim das detenções de
pessoas sem culpa formada em “crimes contra a segurança do Estado”».
Um ano mais tarde, Sá Carneiro apresentou um projeto de
lei de amnistia dos presos políticos, sobre o qual a Comissão de Política e Administração Geral e Local emitiu o seguinte parecer:
«“Passando à Apreciação
do Projeto de Lei apresentado pelo Senhor Deputado Francisco Sá
Carneiro, foi o mesmo unanimemente considerado, pelos membros presentes à
reunião da Comissão de Política e Administração Geral e Local, como gravemente inconveniente.”»
Francisco Sá Carneiro renunciou, assim, ao seu mandato.
Depois da Revolução, seria o primeiro Secretário-Geral do Partido Popular Democrático, do qual foi cofundador. Viria a ser Primeiro-Ministro num governo liderado pela coligação AD, mas faleceu a 4 de dezembro de 1980, num desastre de aviação, com apenas 46 anos.
Quem quiser ler mais sobre a intervenção de Francisco Sá Carneiro, na sessão de 15 de janeiro de 1972, pode fazê-lo aqui:
http://app.parlamento.pt/COMUNICAR/Artigo.aspx?ID=1112
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15 de janeiro de 2018
10 de dezembro de 2017
Tigres de Papel
«Mas parece-me que se passa qualquer coisa na nossa
sociedade: muitos americanos parecem ter deixado de entender o que um líder
deve ser, confundindo voz grossa e beligerância com firmeza. Porquê? Será a
cultura das celebridades? Será desespero da classe trabalhadora, canalizado
para o desejo de slogans fáceis? Não sei».
São palavras de Paul Krugman, economista
norte-americano, Nobel de Economia em 2008, originalmente publicadas no The New York Times, traduzidas e
publicadas na revista Visão (6 de
Abril de 2017).
Paul Krugman diz que não sabe. Pois eu arrisco dizer
que este não é um problema exclusivo dos Estados Unidos, nem sequer atual. Os
humanos, em geral, sempre confundiram «voz grossa e beligerância com firmeza».
Vivemos de aparências, daquilo que impressiona à primeira vista. Somos muito
manipuláveis e, de vez em quando, aparece alguém capaz de usar na perfeição os artifícios necessários. Dá a ilusão de segurança e de que sabe o que quer.
Adoramos tigres de papel. Mas o problema não é novo e
não aprendemos nada com a História.
17 de fevereiro de 2017
As Audrey Hepburns das nossas vidas
Como Presidente da República, Cavaco Silva não agradou a toda a gente. Talvez até nem tenha agradado à maioria, apesar de ter sido eleito por uma. Em democracia, porém, acontece que eleitores se desiludam com o desempenho dos por si eleitos.
Os que não apreciaram a atuação de Cavaco Silva podem e devem criticá-lo. Por atitudes que tomou, ou não tomou; por palavras que disse, ou não disse; pela sua alegada falta de cultura literária ou outra. Mas criticá-lo, ou mesmo ridicularizá-lo, por palavras elogiosas e ternurentas usadas em relação à mulher com quem está casado há mais de cinquenta anos? Numa altura em que a violência (não só) doméstica e a falta de respeito pelo seu semelhante está na ordem do dia? Há aqui algo que me escapa.
Maria Cavaco Silva teve vinte anos, como todos nós. E, com vinte anos, todas as mulheres são bonitas. E que, aos olhos de familiares e/ou amigos, Maria Cavaco Silva fosse parecida com Audrey Hepburn, é porque ela o era realmente! Porque estas coisas são mesmo assim! Pensem, meus senhores, nas vossas mulheres, quanto tinham vinte anos; em alguma namorada que tiveram, nas vossas mães, irmãs, filhas, netas! E pensem em vós próprias, minhas senhoras, pois certamente muitas de vós foram comparadas a estrelas de cinema ou outras figuras públicas conhecidas pela sua beleza! Quão cinzentas seriam as nossas vidas sem as nossas próprias Audrey Hepburns, Brigitte Bardots, ou Marilyn Monroes!
Ridicularizar Cavaco Silva por usar palavras elogiosas ao definir a mulher com quem está casado há mais de cinquenta anos não revela apenas mau-gosto e falta de educação, revela, acima de tudo, um grande, enorme, gigantesco preconceito!
Os que não apreciaram a atuação de Cavaco Silva podem e devem criticá-lo. Por atitudes que tomou, ou não tomou; por palavras que disse, ou não disse; pela sua alegada falta de cultura literária ou outra. Mas criticá-lo, ou mesmo ridicularizá-lo, por palavras elogiosas e ternurentas usadas em relação à mulher com quem está casado há mais de cinquenta anos? Numa altura em que a violência (não só) doméstica e a falta de respeito pelo seu semelhante está na ordem do dia? Há aqui algo que me escapa.
Maria Cavaco Silva teve vinte anos, como todos nós. E, com vinte anos, todas as mulheres são bonitas. E que, aos olhos de familiares e/ou amigos, Maria Cavaco Silva fosse parecida com Audrey Hepburn, é porque ela o era realmente! Porque estas coisas são mesmo assim! Pensem, meus senhores, nas vossas mulheres, quanto tinham vinte anos; em alguma namorada que tiveram, nas vossas mães, irmãs, filhas, netas! E pensem em vós próprias, minhas senhoras, pois certamente muitas de vós foram comparadas a estrelas de cinema ou outras figuras públicas conhecidas pela sua beleza! Quão cinzentas seriam as nossas vidas sem as nossas próprias Audrey Hepburns, Brigitte Bardots, ou Marilyn Monroes!
Ridicularizar Cavaco Silva por usar palavras elogiosas ao definir a mulher com quem está casado há mais de cinquenta anos não revela apenas mau-gosto e falta de educação, revela, acima de tudo, um grande, enorme, gigantesco preconceito!
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Políticos,
Portugal no seu melhor
18 de julho de 2014
Como as pessoas nos surpreendem
Em janeiro de 1991, votei em Basílio Horta, nas Eleições Presidenciais. Sempre tive problemas em dizer isto. Em primeiro lugar, porque nunca fui do CDS; em segundo lugar, porque Basílio Horta não era um político que atraía simpatias e não esteve nada bem num debate contra o seu adversário Mário Soares.
Acontece que também nunca fui comunista (se descontarmos o Verão Quente; mas eu, aí, tinha dez anos). E Basílio Horta foi o único não-comunista que teve a coragem de fazer frente a Mário Soares. Mesmo Cavaco Silva, à altura, Primeiro-Ministro, vendo que Soares dificilmente perderia, desistiu de apresentar um candidato do seu partido.
Ainda pensei em não ir votar, ou votar em branco, ou mesmo anular o boletim com um garatujo qualquer. Mas o meu objetivo principal era mostrar que preferia um outro Presidente, que não Mário Soares. Votando em branco, pertenceria à grande massa que apenas protesta. Eu não queria apenas protestar, eu queria uma alternativa.
Mesmo os meus pais (que nunca foram de esquerda), reprovaram a minha atitude, na altura. E votaram realmente no Mário Soares!
Hoje, ao saber disto, fiquei contente por ter votado em Basílio Horta! Ainda há pessoas que nos conseguem surpreender. Pela positiva!
Via Vespinha
Acontece que também nunca fui comunista (se descontarmos o Verão Quente; mas eu, aí, tinha dez anos). E Basílio Horta foi o único não-comunista que teve a coragem de fazer frente a Mário Soares. Mesmo Cavaco Silva, à altura, Primeiro-Ministro, vendo que Soares dificilmente perderia, desistiu de apresentar um candidato do seu partido.
Ainda pensei em não ir votar, ou votar em branco, ou mesmo anular o boletim com um garatujo qualquer. Mas o meu objetivo principal era mostrar que preferia um outro Presidente, que não Mário Soares. Votando em branco, pertenceria à grande massa que apenas protesta. Eu não queria apenas protestar, eu queria uma alternativa.
Mesmo os meus pais (que nunca foram de esquerda), reprovaram a minha atitude, na altura. E votaram realmente no Mário Soares!
Hoje, ao saber disto, fiquei contente por ter votado em Basílio Horta! Ainda há pessoas que nos conseguem surpreender. Pela positiva!
Via Vespinha
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