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29 de abril de 2019
Contos do Portugal Profundo (9)
«Ela insistiu e foi ainda mais longe na descodificação que fazia da natureza humana. Falou do medo, da impotência, da solidão, da perda... Metia-se com ele, talvez por sentir que ele fingia não ser grande adversário. E era verdade. Naquele momento estava ali sentado, com a mesma sensação de estar a assistir a uma peça de teatro ou a um filme. E como sabia que o silêncio era de ouro nos momentos em que a arte se confundia com a vida, não perturbava nem um pouco o "monólogo" de Eva...»
In "Despedidas à Francesa Num Outro Portugal", de Luís Alves Milheiro
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11 de março de 2019
Contos do Portugal Profundo - e uma história brasileira (8)
«E numa tarde de chuva, amodorrada, lenta, preguiçosa, com o padre no locutório a disfarçar bocejos enquanto as velhotas desfiavam rosários de pecados, pequenas maldades femininas, má-língua com as vizinhas, ofensas rancorosas à nora, ao genro, patifarias, pequenos furtos até, falhas tão numerosas como as contas dos seus terços, tão anódinos como a crença ingénua na possibilidade de mover a seu favor a vontade de Deus, não com o viver cristão, mas com a repetição infindável de pais-nossos, avés-marias, salve-rainhas em melopeias desprovidas de sentido - eis que volta a Piedade, a alegrar a tarde do pároco, que via finalmente alguma utilidade no seu trabalho».
In "A Abafadora", de José Cipriano Catarino
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4 de março de 2019
Contos do Portugal Profundo - e uma história brasileira (7)
«O mundo era feito de sombras. Eram sombras o que me rodeava e eu mesmo era uma. Olhava as pessoas na rua e só via escuridão. Ouvia, no café, os projectos que as vozes alardeavam e tudo me parecia cinzento. O meu cérebro era uma mancha negra de perguntas, um gerador de problemas. Porque se movia esta gente como um carreiro de formigas? Que buscavam elas? Para que faziam projectos se a vida, traiçoeira, lhes cortaria as pernas quando menos esperassem? Dava por mim a pensar que, afinal, todos estávamos enganados (...) À excepção de uma reduzida minoria, todos nós caminhávamos num fio de vida ilusório».
In "O Cisne", de João J. A. Madeira
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7 de janeiro de 2019
Contos do Portugal Profundo - e uma história brasileira (6)
«Saiu para a noite descalça e envergando apenas o vestido rasgado e ensanguentado. Não sentia frio. Caminhava firme e resoluta, sem parar para pensar, para se perguntar se haveria outra solução. Cães, que por ali vagueavam, quedavam-se sem ladrar, lançando-lhe um olhar que se diria solidário, como se nela vissem uma atormentada alma gémea dentro de um corpo açoitado».
In "Os Presuntos", conto de minha autoria na coletânea Portugal Profundo.
Os Contos do Portugal Profundo reúnem nove escritores que se conheceram no blogue Horas Extraordinárias, sendo um deles a anfitriã Maria do Rosário Pedreira.
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17 de dezembro de 2018
Contos do Portugal Profundo - e uma história brasileira (5)
«Diário de bordo do ano da graça 1721... O navio Rainha dos Anjos de bandeira portuguesa, vindo de Macau para Lisboa, traz nos porões um tesouro na carga de artefactos, presentes da corte chinesa entre pedras preciosas e porcelana fabricada no palácio Imperial do período Kangxi para o Rei de Portugal D. João V. Era madrugada, no lusco-fusco se lhe mantendo vigilantes os grumetes e a tripulação do Rainha. O acompanhará uma pequena esquadra composta de três velozes fragatas. Agora estas, lentamente, manobram na chegada e estrategicamente baixam âncoras para descanso e mantimentos da frota. Porto dos Patos, desde sempre historicamente referência de Sebastião Caboto, escolhido o ser gente pacata e de fácil navegabilidade à larga baía, a lida de abastecimento na ilha do Desterro do Sul do Novo Mundo, Brasil».
In "O Barrete", Cláudia da Silva Tomazi - a história brasileira incluída na coletânea Portugal Profundo.
Os Contos do Portugal Profundo reúnem nove escritores que se conheceram no blogue Horas Extraordinárias, sendo um deles a anfitriã Maria do Rosário Pedreira.
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3 de dezembro de 2018
Contos do Portugal Profundo - e uma história brasileira (4)
«Mastigou e atropelou a missa matinal, o que de resto
não notaram a Pulquéria Beata e a Isaulinda da Meã, uma surda que nem molho de
carqueja e a outra decrépita, ambas empenhadas em ganharem a vida eterna pela
via da oração, assistiam à missa rezando o terço tão concentradas, que nem a
queda do altar-mor as desviaria da devoção. É latim! Diriam com ar sabedor, se
inquiridas a respeito.
A sua verdadeira testemunha, para além do Cristo no
altar, que de braços abertos parecia simultaneamente fazer um gesto de resignação
impotente a estes atropelos e admirar o panorama que dali abarcava, foi a serra
que se avistava pela porta escancarada da igreja. Assim, controlava o evoluir
do estado do tempo, enquanto se extasiava com o espectáculo sempre renovado
daquela beleza agreste».
In "O Padre Bento", António Luiz Pacheco, conto incluído na coletânea Portugal Profundo
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26 de novembro de 2018
Contos do Portugal Profundo - e uma história brasileira (3)
«Conheci a Amélia na igreja matriz, numa ocasião em que aguardava vez para me ajoelhar no confessionário, onde o padre, oculto por detrás do biombo, ouvia os desabafos e mandava varrer os pecados com rezas e penitências. Amélia, nessa altura uma serva do Senhor anónima, sentou-se a meu lado, recatadamente, aproveitando o lugar desocupado por uma velhinha que cheirava a alho, talvez para afugentar o Diabo. Cansado de olhar o crucifixo, desviei o olhar para a direita. Amélia dirigiu o seu olhar para a esquerda, trocou o Cristo por mim. Reparei que era uma jovem da minha idade, com rosto angélico quase escondido por um lenço azul-escuro. Parecia a Imaculada. Um espasmo repentino encostou a minha mão à dela, pousada no banco de madeira como uma pombinha branca. Um êxtase místico vibrou-me todo, como se estivesse de mão dada com o Espírito Santo. Uma descarga elétrica uniu ambas as mãos, os dedos entrelaçaram-se, falaram com eloquência muda, e então eu e Amélia compreendemos que o amor ao primeiro contacto de mãos era uma bênção de Deus, querendo unir dois santinhos que mereciam a felicidade eterna».
In "Este Caso Não o Contarei Ao Custódio", de António Breda Carvalho, conto incluído na coletânea Portugal Profundo.
Os Contos do Portugal Profundo reúnem nove escritores que se conheceram no blogue Horas Extraordinárias, sendo um deles a anfitriã Maria do Rosário Pedreira, e está à venda na Amazon:
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26 de outubro de 2018
Contos do Portugal Profundo - e uma história brasileira (2)
Nesta coletânea, cada um dos nove autores interpreta o
tema à sua maneira.
António Breda Carvalho conta-nos amores infelizes, com
a sua ironia habitual, em Este Caso Não O
Contarei Ao Custódio.
António Luiz Pacheco introduz-nos em certos costumes
da nossa província, em O Padre Bento.
Cláudia da Silva Tomazi dá conta d’O Barrete, uma eleição que servia de
base à formação de uma Vila, no Brasil colonial.
Cristina Torrão mostra-nos a tragédia por trás do
idílio rural, em Os Presuntos.
João J. A. Madeira foca a solidão e o desencanto
citadinos, em O Canto do Cisne.
José Cipriano Catarino retrata psicopatias integradas
no nosso quotidiano, em A Abafadora.
Luís Alves Milheiro coloca um citadino em confronto
com o mundo aldeão, em Despedidas À
Francesa Num Outro Portugal.
Maria do Rosário Pedreira ilustra como o tango é um “jogo”
de equilíbrios universal, em O Estranho
de Buenos Aires.
Pedro A. Sande leva-nos numa viagem alegórica em busca
da alma de um nosso desencantado poeta em, O
Meu Amigo Alma.
Como
já referi, estes autores têm em comum serem comentadores do blogue Horas Extraordinárias,
de Maria do Rosário Pedreira, que teve a gentileza de aceitar o nosso convite.
O livro está disponível na Amazon:
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Portugal Profundo
22 de outubro de 2018
Contos do Portugal Profundo - e uma história brasileira
É com muita satisfação que anuncio a publicação desta
coletânea de contos, reunindo nove autores que se conheceram no blogue Horas Extraordinárias de
Maria do Rosário Pedreira, poetisa, editora do grupo LeYa e que igualmente nos
deu a honra de participar com um conto de sua autoria.
Os autores são (por ordem alfabética):
António Breda Carvalho
António Luiz Pacheco
Cláudia da Silva Tomazi
Cristina Torrão
João J. A. Madeira
José Cipriano Catarino
Luís Alves Milheiro
Maria do Rosário Pedreira
Pedro A. Sande
Agradeço a todos os participantes por haverem aceitado
o meu desafio e por termos conseguido levar o projeto até ao fim.
Esta coletânea variada, com lugar para a ironia, a
diversão, a tristeza, o desencanto e até a filosofia, está à venda na Amazon:
É só encomendar e receber o livro em casa!
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