Era para publicar este
post no Dia Internacional da Mulher, mas não consegui aprontá-lo a tempo. Enfim, diz-se que o Natal é quando um homem quer. E eu digo que o Dia Internacional da Mulher é quando uma mulher quer! E, embora o mundo esteja cheio de mulheres anónimas, que lutam pela vida, decidi homenagear uma que nasceu em berço de ouro, pela simbologia que ela encerra.
Durante séculos (ou milénios) a sucessão real fazia-se por via masculina, ou seja, o sucessor do trono era sempre o filho varão mais velho, sem contar com as irmãs nascidas antes dele. Na Suécia, pôs-se fim a esta tradição a 1 de Janeiro de 1980, quando ficou decidido que a primeira criança a nascer, independentemente do seu sexo, é o/a herdeiro/a do trono. Foi assim que a princesa Victoria, nascida em 1977, passou à frente do irmão, príncipe Carl Philip, nascido em 1979.
Em 1998, porém, a Suécia sofreu um choque, quando, numa cerimónia pública, a princesa surgiu extremamente magra. A Casa Real teve de admitir que ela sofria de bulimia. Começou a discussão: seria ela incapaz de arcar com a responsabilidade? Tinha sido um erro optar por ela, em relação ao irmão? Na altura, a princesa queixou-se da perseguição dos
media, alegando que precisava de experimentar uma vida normal, anónima, antes de arcar com as suas responsabilidades. E foi para os EUA, onde esteve dois anos a estudar, na Universidade de Yale.
Regressou com bom aspecto, mais conscienciosa e até se inscreveu num ginásio, a fim de tratar da sua saúde física. Um ano mais tarde, em 2001, o novo choque: Victoria apaixonara-se pelo jovem dono do ginásio que frequentava, de seu nome Daniel Westling (nascido em 1973).
Começou uma grande batalha da princesa contra todos aqueles, incluindo a própria família, que não achavam Daniel Westling digno de fazer par com a herdeira do trono e, mais uma vez, os suecos se perguntavam se ela teria discernimento suficiente para tomar a decisão certa. Ela provou ser persistente, anos a fio, até que a família cedeu e Daniel Westling foi iniciado nos procedimentos oficiais. Durante muito tempo, porém, não era autorizado a aparecer ao lado da princesa nas cerimónias públicas.
Há cerca de dois anos, mais uma dificuldade para Victoria: Daniel, que sofre de uma doença renal, piorou de tal maneira, que teve de ser operado. Mais: o pai dele teve de lhe ceder um dos seus rins, a fim de lhe salvar a vida. Foram tempos dramáticos para a princesa, que se dividia entre os seus compromissos e as visitas ao hospital, onde o noivo esteve, algum tempo, em risco de vida.
Os dois superaram a crise e casaram, finalmente, a 19 de Junho de 2010.
A 23 de Fevereiro passado, Victoria deu à luz uma menina, a quem se pôs o nome de Estelle e que se tornou automaticamente na nº 2 na sucessão do trono sueco, logo a seguir à mãe. O que quer dizer que, depois do actual rei Carl Gustav, e durante, pelo menos, duas gerações (que espero sejam bem longas), a Suécia terá uma rainha, em vez de um rei.
Desejo muitas felicidades à princesa Victoria e à sua princesinha Estelle!