Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

26 de março de 2012

Crónica d'Orelhudos




O escritor Luís Novais decidiu iniciar uma nova fase na sua relação com os leitores e pôs o seu novo livro, Crónica d’Orelhudos, à disposição, para descarregamento gratuito, na internet. O livro é assim apresentado «livre de custos de edição, de custos de impressão, de custos de distribuição, de comissões e de todos aqueles encargos que a logística nos habituou a pagar».

Confesso que ando igualmente a pensar em algo semelhante, depois das experiências decepcionantes que tenho feito com as editoras. Porque não aproveitar os recursos que as novas tecnologias nos põem à disposição? Vou deixar amadurecer a ideia e depois digo alguma coisa…

Para já, aproveitem esta oferta! Se quiserem mais informações, é só ir ao blogue do escritor, onde ficam igualmente a saber como podem contribuir monetariamente. Mas, sublinho, o descarregamento é totalmente gratuito, o eventual pagamento é livre e com a vantagem de o poderem fazer depois de lerem o livro, se acharem que o autor o merece…

Uma opinião isenta e competente sobre esta Crónica d’Orelhudos também já foi dada pelo Manuel Cardoso.

Outro selo



A Carla M. Soares enviou-me este selo (porque será que há vários em alemão?), que vem acompanhado de um questionário e que passo a responder:

Nome da minha música preferida:
Red Hot Chilli Peppers

Nome da minha sobremesa favorita:
Mousse de chocolate

O que me tira do sério:
Falta de honestidade

Quando estou chateada:
Costumava amuar, mas estou a aprender a dar cabo da paciência a quem me chateia

Qual o meu animal de estimação favorito:
A Lucy, claro (ver foto do meu perfil)

Preto ou Branco:
Dálmata

Maior medo:
Não respondo, tenho medo que se riam

Atitude quotidiana:
Apreciar as coisas simples

O que é perfeito?
Aquilo em que se acredita

Sete factos aleatórios sobre mim:
1 - Detesto fazer bolos
2 - Só sou capaz de escrever (livros) de manhã
3 - Caminho todos os dias cerca de duas horas com a Lucy
4 - Tenho a mania de fazer combinar as cores das molas com a roupa que ponho a secar (e nunca ponho duas molas de cores diferentes na mesma peça)
5 - Gosto de beber um copo de vinho (tinto ou branco) ao jantar
6 - Todos os dias luto comigo mesma para não comer chocolates. Ao fim-de-semana, rendo-me.
7 - Só ouço estações de rádio jovens, mesmo que os locutores de serviço me enervem (estar constantemente a recordar os anos 80/90 ainda me enerva mais)

Passo o selo aos seguintes blogues (têm de ser 10), porque gostava de ler as respostas dos seus autores a este questionário:

Açúcar Amarelo
A Gota de Ran Tan Plan
Avançando
antonioganhao
Blonde... with a phd
Crónicas de um Matemático Exilado no Mundo
Dias Imperfeitos
Dos Meus Livros
Viajar pela Leitura
Xaile de Seda

Quem passe por aqui e não faça parte da lista, sinta-se à vontade para levar o selo e responder ao questionário!

24 de março de 2012

Largueza (Volume 1)


Trata-se de uma obra muito informativa. A acção situa-se na segunda metade do século XIX e segue a vida da personagem principal, um ribatejano, que, depois de completar o seu curso na Academia Militar de Lisboa, é colocado, primeiro, na Índia e, depois, em Angola.

A vida do jovem no Ribatejo e em Lisboa e, como adulto, nos outros sítios por onde passou, é descrita ao pormenor: os hábitos, as comidas, as paisagens, etc. Nesse aspecto, o livro é muito interessante. Como romance, no entanto, torna-se exaustivo e requer muita resistência por parte do leitor. Não só para vencer as 800 páginas, mas também porque o enredo é bastante simples, sem grandes surpresas.

Além disso, senti falta de um certo sentido crítico por parte do autor. A personagem principal sabe sempre tudo e age sempre correctamente, de acordo com os princípios que lhe foram ensinados na infância e na juventude, por pessoas (entenda-se, homens) igualmente sem defeitos e de uma moral ímpia. A sua acção nas colónias é exemplar, alimentando o mito de que os portugueses foram melhores colonizadores do que ingleses e alemães, por exemplo. Se assim foi, não sei porque Portugal, hoje em dia, está onde está. Mas talvez o próprio romance dê a resposta, nesta passagem:

"Falaram dos diamantes como não podia deixar de ser, que tão importantes eram para prosseguir os projectos de desenvolvimento da metrópole, ainda em escombros e tão atrasada... os hospitais, caminho-de-ferro e telégrafo, estradas, portos... tanta coisa para fazer e tanta falta de recursos neste país onde a agricultura era pobre e a inexistência de matérias-primas, minerais e outras limitavam a instalação das grandes indústrias... a solução estava portanto nas colónias!"

Ou seja: 'bora lá explorar a terra dos outros, para desenvolvermos a nossa!
E, afinal, deu um resultadão, andar atrás das riquezas das colónias...

Outros dois aspectos que me incomodaram: a caça é um "vício", faz parte da vida de um homem, por isso, é lícito que o faça por prazer, ou que ande apenas atrás de marfim; as mulheres servem quase exclusivamente para se dedicarem aos seus homens e, quando estes as deixam, resta-lhes sofrer em silêncio, compreendendo a necessidade que eles têm de mudança!

Enfim, um outro mundo, e talvez fosse mesmo assim, no século XIX.

Depois destas 800 páginas, sinto grande necessidade de ler outros livros, pelo que o segundo volume terá de esperar...

23 de março de 2012

Por Tierras d l Rei*


À época da Reconquista cristã da península ibérica, a primitiva linha de limites do condado portucalense com o reino de Leão desenvolvia-se ao longo da margem esquerda do rio Sabor até à sua confluência com a ribeira de Angueira. Esta raia era vigiada por quatro sentinelas principais: o Castelo de Milhão, o Castelo de Santulhão  (ambos já desaparecidos), o Castelo de Outeiro de Miranda  (em ruínas) e o Castelo de Algoso.

Entre o dia 30 de Março e 1 de Abril, a AEPGA realiza mais uma edição do Passeio de Burro intitulado “Por Tierras d l Rei” para descansar e simplesmente contemplar a natureza na companhia do Burro de Miranda. Por encostas, entre vinhas e olivais, por entre enormes sobreiros e paisagens deslumbrantes o passeio decorre em direcção a Terras de Algoso, onde sobranceiro ao vale do rio Angueira, sob um imponente afloramento rochoso, se encontra o castelo de Algoso.



Foto Cláudia Costa
Informações, Programa e Inscrições no site da Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino
*Mirandês

21 de março de 2012

Adoro esta frase!

Para mim, escrever é tão divertido como tocar música.

Porque é mesmo isso. Um escritor precisa tanto de escrever, como um músico precisa de tocar música, um pintor precisa de pintar, um escultor precisa de esculpir, um bailarino precisa de dançar. Pode até tornar-se uma obsessão; pode até impedir-nos de fazer outras coisas divertidas; pode até deixar-nos esgotados. Mas é sempre algo que nos faz esquecer as horas e o mundo à nossa volta. É sempre algo sem o qual não imaginamos viver.

19 de março de 2012

Imprimir como Gutenberg

Agora, que estamos a iniciar a era dos livros electrónicos, nada como regressar às origens. Foi isso mesmo que nos aconteceu na nossa visita à lindíssima catedral gótica de Magdeburgo.


Deparamos, sem o saber, com uma exposição sobre publicações da Bíblia ao longo dos tempos, na qual o ponto forte eram as lindíssimas versões da Idade Média, escritas e ilustradas à mão.



Peço desculpa pelos reflexos das vitrinas nas fotografias. Na próxima, que mostra um pormenor, não existe esse problema:


Mas a Bíblia foi também o primeiro livro impresso (em alemão: das erste gedruckte Buch)


Por isso, a exposição foi aproveitada para lembrar aquele que revolucionou o mundo dos livros. Três estudantes imprimiam gratuitamente, com os meios de Gutenberg, uma página, para quem a quisesse levar.













Claro que não resistimos à oferta e aqui está o resultado, que levámos para casa:


É uma passagem do Evangelho de São João (14,6) : Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por Mim.

18 de março de 2012

Exposição São Teotónio


São Teotónio, confessor de D. Afonso Henriques e Prior do Mosteiro de Cónegos Regrantes de Santa Cruz de Coimbra, foi o primeiro português a ser canonizado. A fim de assinalar os 850 anos da sua morte, o Museu Grão Vasco, em Viseu, tem patente uma exposição sobre aquele que é igualmente o Patrono da Diocese e da Cidade de Viseu. A visitar, até 1 de Julho.

17 de março de 2012

865 Anos da Conquista de Santarém (3)

O Bartolomé Bauzá é repetente, pois já ganhou um passatempo aqui no Andanças. E eu tornei a render-me à sua escrita, que, por acaso, é em castelhano (ou espanhol?), pois ele receia que o seu português não chegue para uma escrita correcta. Bartolomé compara o romance (ou novela, como ele diz) histórico com a História "fria", limitada às datas e aos factos, esquecendo a paixão, o sofrimento e o sangue. Lembra-nos que o cronista medieval também se servia da sua arte para fazer um relato mais excitante. Inventava? "Qué más da?" É a História-Ciência mais exacta do que aquela que nos faz sentir as emoções, ouvir os gritos, cheirar os aromas?
Felizmente, hoje em dia, os historiadores estão mais sensibilizados para questões desse tipo. É, de qualquer maneira, uma discussão interessante, que Bartolomé apresenta, à sua maneira original:


Santarém como excusa

El debate es antiguo.
El paradigma actual es presentar una historia basada en
hechos comprobables,
fechas,
cifras,
referencias cruzadas…

Pero no fue siempre así.

Antes, la Historia era narrada y oída:
Vivida…

…Os mouros não resistiram por muito mais tempo. Os guerreiros de Afonso tomaram conta de todos os edifícios e compartimentos da fortaleza, matando os homens e violando as mulheres por sobre o sangue que manchava os tapetes e as almofadas das luxuosas alcovas.

De alguna manera, el narrador colaboraba en la gesta histórica.
En última instancia,
su arte,
su don,
su elocuencia,
su saber decir
estaban al servicio de los protagonistas.
Y de su audiencia, claro.

Detalles magnificados,
inventados,
 ¿qué más da?:
si dan vida a hechos que los HISTORIADORES DE VERDAD han vuelto fríos.

Que la Historia no es sino pasión:
contada,
cantada,
oída…

La novela histórica no engaña.
O lo hace menos que la pretendida Historia,
que en base a unos pocos datos ciertos, contrastados, construye una historia que es
pequeña,
incompleta,
parcial
pero nos hace creer que es
grande,
completa,
enteriza…

Quando o Domingo, dia 15 de Março de 1147, amanheceu, já os gritos de sofrimento e agonia tinham cessado. E era o estandarte do rei português, com os seus escudetes azuis em forma de cruz, que a brisa sacudia no cimo da torre de menagem da alcáçova de Santarém…

Yo, ahora, estoy en la alcazaba de Santarém, en la torre del homenaje.
La batalla ha sido terrible.
El olor a sangre,
humo,
dolor,
envuelve mi alrededor.
Oigo distante el flamear al viento del estandarte
d’el Rey.

Ahora estoy cansado. Mañana, veré con nitidez la barbarie:
las violaciones,
los pillajes,
la matanza…

Los HISTORIADORES DE VERDAD dirán –escuetamente- que Santarém fue saqueada.

No basta, no basta…  

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16 de março de 2012

865 Anos da Conquista de Santarém (2)

Já me habituei a deparar com situações insólitas, ou com as obsessões humanas, nos textos do Exilado. Aqui, ele juntou as duas coisas. E a expressão escrita em árabe deu o toque final. Digamos que a conquista de Santarém, sem a sua vertente árabe, não é a mesma coisa...


Foi bom?

por Exilado no Mundo



Talvez fruto de uma maturidade conferida pelos seus já quase 40 anos de idade, o mesmo Afonso que em tempos tivera o descaramento de lutar contra a sua própria mãe, começava agora a dar mostras de uma sensibilidade — ou insegurança, quem sabe — que anos antes teria sido difícil de se lhe reconhecer.
Depois de conquistado o castelo escalabitano, Afonso tomou para si a moura mais encantadora do imenso grupo de jovens desamparadas e recolheu com ela aos seus improvisados aposentos. Seria natural que, após uma noite na qual saciou a seu bel-prazer as mais profundas necessidades de homem no ativo, Afonso recompusesse as vestes, colocasse a espada à cintura e saísse para reunir as tropas. Os preparativos com vista à grande conquista de Lisboa, já a poucas dezenas de léguas de distância, assim o exigiam. 
No entanto, na hora de se afastar do circunstancial leito de conquistas íntimas, Afonso hesitava. E contemplava a bela moura ainda deitada, qual troféu arrebatado pelo lado pessoal deste multifacetado e bem-sucedido conquistador. Mas para Afonso não bastava. Precisava de saciar no espírito aquela que ultimamente se tornara uma dúvida tão frequente quanto a sua necessidade de satisfação corporal.
Os seus parcos conhecimentos em língua árabe nem por sombras lhe permitiam questionar a jovem moura — e menos ainda entender o que quer que ela lhe pudesse responder. Por gestos, tornava-se ainda mais difícil. Restava-lhe uma única possibilidade. Mandou chamar o especialista em língua árabe e transmitiu-lhe a pergunta que deveria ser feita. De imediato, o tradutor, sem grandes rodeios, inquiriu-a: كان من الجيد؟
Afonso nem precisou de esperar pela tradução da resposta. O afirmativo menear de cabeça da jovem e o generoso sorriso que lhe acompanhou o gesto foram mais do que suficientes para o seu necessário esclarecimento. Afonso sentiu-se mais confiante do que nunca.

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15 de março de 2012

865 Anos da Conquista de Santarém (1)

A publicação do texto da Ana Sofia Allen inicia a série dedicada aos 865 Anos da Conquista de Santarém. Ela teve a interessante ideia de falar por um ser vivo que a tudo assistiu e sobreviveu, até hoje, para o contar: um carvalho. E eu, ao ler o texto, desejei ter sido esse carvalho:


"Eu sou um ser que vive, entenda-se. Os meus braços alimentam outros seres viventes e dão sombra a quem se senta no meu colo. Um carvalho pode ser um grande amigo, a quem confiam os seus segredos. As crianças em meu redor são a energia que me aquece e as juras gravadas no meu tronco, memórias antigas.
Entre elas, a daquele dia: nada se sentia no ar, nada do que estava para acontecer. O frio cortante do fim de tarde cobria o som dos cascos de cavalos a chegar a Santarém.
À noite, do alto da minha copa, vi três vultos a aproximarem-se das muralhas com uma escada enorme; a partir daí os dados estavam lançados…O estranho neste ataque era o mudo entendimento entre pares. A camaradagem entre os cavaleiros e o rei era a força por detrás da razia, que parecia fulminante.
No final, a lua, minha companheira, tão testemunha do massacre como eu, escondeu-se e com ela foram-se os gritos, os medos e os ódios deixados para trás. Em cada pedra das muralhas um lamento se gravou, e na bandeira então içada, ondulavam as cores da vitória!
A euforia dos novos amos alimentou-se do mito de tesouros escondidos e neste planalto mirante de grandes e férteis planícies, a vida ergueu-se novamente como os novos rebentos da Primavera.
Mesmo passado 865 anos, este episódio continua presente em mim. A conquista de Santarém fez-se por pessoas comuns que ousaram dar liberdade aos seus sonhos, mas o código de honra dos cavaleiros foi ignorado e, em vez disso, a força invisível que eu senti, naquela madrugada de 15 de Março, tornar-se-ia o prenúncio de uma identidade futura, cujas raízes se cravavam na terra funda."

Ana Sofia Allen
11/03/2012

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14 de março de 2012

Resultado do Passatempo

Muito obrigada pelas vossas participações! Três textos agradaram-me tanto, que me deixaram em dificuldades. São completamente diferentes uns dos outros e aí é que reside o problema, pois é muito difícil compará-los.

Conclusão: resolvi premiar os três! O que beneficia o assinalar dos 865 Anos da Conquista de Santarém, aqui no Andanças, que se prolongará de 15 a 17 de Março. A partir de amanhã, os textos vão ser publicados, um de cada vez, durante três dias seguidos. Numa pequena introdução, darei as razões da minha escolha.

E os vencedores são:

Ana Sofia Allen
Exilado no Mundo
Bartolomé Bauzá

Parabéns! Cada um vai receber um exemplar autografado de Afonso Henriques - o Homem.


Mais uma vez, o meu agradecimento aos outros participantes. Aproveito para dizer que surgirão outras oportunidades.

13 de março de 2012

Rainhas em vez de Reis

Era para publicar este post no Dia Internacional da Mulher, mas não consegui aprontá-lo a tempo. Enfim, diz-se que o Natal é quando um homem quer. E eu digo que o Dia Internacional da Mulher é quando uma mulher quer! E, embora o mundo esteja cheio de mulheres anónimas, que lutam pela vida, decidi homenagear uma que nasceu em berço de ouro, pela simbologia que ela encerra.


Durante séculos (ou milénios) a sucessão real fazia-se por via masculina, ou seja, o sucessor do trono era sempre o filho varão mais velho, sem contar com as irmãs nascidas antes dele. Na Suécia, pôs-se fim a esta tradição a 1 de Janeiro de 1980, quando ficou decidido que a primeira criança a nascer, independentemente do seu sexo, é o/a herdeiro/a do trono. Foi assim que a princesa Victoria, nascida em 1977, passou à frente do irmão, príncipe Carl Philip, nascido em 1979.


Em 1998, porém, a Suécia sofreu um choque, quando, numa cerimónia pública, a princesa surgiu extremamente magra. A Casa Real teve de admitir que ela sofria de bulimia. Começou a discussão: seria ela incapaz de arcar com a responsabilidade? Tinha sido um erro optar por ela, em relação ao irmão? Na altura, a princesa queixou-se da perseguição dos media, alegando que precisava de experimentar uma vida normal, anónima, antes de arcar com as suas responsabilidades. E foi para os EUA, onde esteve dois anos a estudar, na Universidade de Yale.

Regressou com bom aspecto, mais conscienciosa e até se inscreveu num ginásio, a fim de tratar da sua saúde física. Um ano mais tarde, em 2001, o novo choque: Victoria apaixonara-se pelo jovem dono do ginásio que frequentava, de seu nome Daniel Westling (nascido em 1973).


Começou uma grande batalha da princesa contra todos aqueles, incluindo a própria família, que não achavam Daniel Westling digno de fazer par com a herdeira do trono e, mais uma vez, os suecos se perguntavam se ela teria discernimento suficiente para tomar a decisão certa. Ela provou ser persistente, anos a fio, até que a família cedeu e Daniel Westling foi iniciado nos procedimentos oficiais. Durante muito tempo, porém, não era autorizado a aparecer ao lado da princesa nas cerimónias públicas.

Há cerca de dois anos, mais uma dificuldade para Victoria: Daniel, que sofre de uma doença renal, piorou de tal maneira, que teve de ser operado. Mais: o pai dele teve de lhe ceder um dos seus rins, a fim de lhe salvar a vida. Foram tempos dramáticos para a princesa, que se dividia entre os seus compromissos e as visitas ao hospital, onde o noivo esteve, algum tempo, em risco de vida.

Os dois superaram a crise e casaram, finalmente, a 19 de Junho de 2010.


A 23 de Fevereiro passado, Victoria deu à luz uma menina, a quem se pôs o nome de Estelle e que se tornou automaticamente na nº 2 na sucessão do trono sueco, logo a seguir à mãe. O que quer dizer que, depois do actual rei Carl Gustav, e durante, pelo menos, duas gerações (que espero sejam bem longas), a Suécia terá uma rainha, em vez de um rei.


Desejo muitas felicidades à princesa Victoria e à sua princesinha Estelle!

12 de março de 2012

Passatempo encerrado

Encerrou o passatempo 865 Anos da Conquista de Santarém. Obrigada a todos os participantes. Irei agora proceder à escolha do texto vencedor, que será publicado a 15 de Março, o próprio dia do aniversário deste acontecimento.

11 de março de 2012

Desta vez, é um dardo!

Estamos em época de prémios, por aqui. Depois do Liebster Blog (na barra lateral), foi o André Nuno do Pensar nos Livros  e a Carla M. Soares do monster blues que decidiram honrar-me com o Prémio Dardos.


"O Prémio Dardos reconhece os valores que cada blogueiro mostra em cada dia no seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais... que, em suma, demonstram a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras, entre as suas palavras."

A aceitação deste reconhecimento implica três regras:

1- Se aceitar, exibir a imagem.
2- Linkar o blog do qual recebeu o prémio.
3- Escolher 15 blogs para entregar o Prémio Dardos.

Muito obrigada, Carla e André Nuno. E aqui vão os 15 blogues que decidi bombardear com os dardos (por ordem alfabética):

A Gota de Rantanplan, da Teresa
antonioganhao, do próprio
Crescendo Nas Palavras, da Virgínia do Carmo
Destante, de vários
Dias Imperfeitos, da Ana Lima
Déjà Lu, da Idónea Bibliotecária
Em 2711, de vários
És a nossa Fé, de vários
estórias com livros, da rosa
Meditação na Pastelaria, da Ana Cristina Leonardo
O Cheiro dos Livros, do Fallorca
Páginas com Memória, da Joana Dias
Pó dos Livros, do Jaime Bulhosa
Tempo Contado, do J. Rentes de Carvalho
Tertúlia de Sabores, da Moira

10 de março de 2012

Pré-publicação #4


- Não sei o verdadeiro motivo para a tua aflição. Mas sei que a vida não é fácil, não tão simples como se costuma pensar. Dividimos tudo entre bem e mal, pecado e virtude, certo e errado. Mas é tudo uma questão de perspectiva. O que é bom para mim, não quer dizer que o seja para outro; o que me dá prazer, pode ser um sacrifício para outro.
- Achais mesmo que a fronteira entre pecado e virtude é tão ténue?
- Muita gente é apontada como virtuosa, por passar a vida na igreja. E, no entanto, revela-se violenta, invejosa, ou tirana, dentro de sua casa. As suas horas passadas a rezar e a fazer penitências, vistas como sacrifício, ou como uma grande devoção, muitas vezes, não passam de uma fuga à vida que não lhe agrada. Não é a sua proximidade com Deus que a leva a isso, pois não aplica os ensinamentos de Cristo no seu dia-a-dia. Trata-se mais de uma maneira de se afirmar, de se sentir livre para decidir, mesmo que isso implique supliciar-se. Pode-se dizer que uma pessoa dessas merece o céu?