Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

28 janeiro 2011

Boas e más leituras

As Leituras da Fernanda

Os livros possuem a grandeza de um mundo por descobrir. Há quem leia para mergulhar na fantasia, há quem o faça, a fim de meditar sobre questões mais ou menos filosóficas, outros encantam-se com a beleza das frases, ainda outros fazem-no por necessidade (estudos, pesquisa, etc.)...

Os livros tornaram-se num negócio, como qualquer outro, o principal objectivo das editoras é fazer dinheiro. Há livros bons e livros maus? Sem dúvida. Como há boa e má música. Alguns livros nunca deveriam ser publicados, assim como certos CDs. Mas a fronteira entre uns e outros é, por vezes, muito ténue. Um livro que esteja escrito numa linguagem simples e acessível é forçosamente mau? E se tiver, por exemplo, um argumento bem estruturado, com personagens profundas e credíveis?

Os americanos são, nesse aspecto, mais flexíveis do que os europeus. Sol Stein, autor de romances, guiões para televisão e dramaturgo da Broadway, é mais conhecido fora dos Estados Unidos pelos seus livros sobre escrita criativa e conselhos a "candidatos a autores". Diz-nos ele que um escritor de romances tem duas hipóteses: ou é um mestre na arte das palavras, conseguindo escrever um livro quase sem argumento, mas que nos encanta pelos seus pensamentos e pela maneira como descreve sentimentos e/ou situações; ou, na falta desse talento, é alguém que possui uma grande imaginação e que constrói uma história que surpreende e encanta o leitor a qualquer momento, prendendo-o do princípio ao fim.

Resguardo, André Letria


Em Portugal (seguindo a tradição europeia), ainda se desvaloriza a imaginação em detrimento da linguagem eloquente. Mas as opiniões vão mudando.

Maria do Rosário Pedreira, editora da Leya, no seu blogue Horas Extraordinárias:

João Bonifácio, citado na OML nº 85, de Março de 2010, a partir de declarações que fez à Ípsilon:
A literatura portuguesa sofre ainda da arte de esgadalhar frases de efeito (...), ou da grande inquirição existencial, ou da grande Ideia.

OML sobre Stephenie Meyer (nº 83, Janeiro de 2010):
Não é um primor de escrita (e isto não é preconceito, é conhecimento de causa), nunca poderá almejar a grandes prémios literários ou a um reconhecimento entre os seus pares que cultivam o estilo e a arte de juntar palavras (...) Os mais exigentes dirão que de pouco vale esta aproximação à leitura. Nós, pelo contrário, achamos que criar hábitos de leitura é de longe o mais importante.

Stephenie Meyer, à semelhança de J. K. Rowling, é dona de uma grande imaginação. Esse mérito tem que lhe ser dado, esse talento reconhecido.

E aqui para nós: quem vende milhões de livros, quem os vê adaptados ao cinema em grande estilo, para que precisa de um Prémio Nobel?

5 comentários:

antonio - o implume disse...

A propósito da tua primeira citação, apraz-me dizer que nem tudo o que se diz corresponde ao que se pensa e se exerce na prática.

Um bom livro é uma edição de capa dura e papel couchet...

jota disse...

Como não sou um mestre na arte das palavras, terei que ficar pela imaginação, que consoante os dias reconheço ter mais ou menos.

Acho que todo o escritor gostaria de ser reconhecido pela qualidade da escrita, pois são muito poucos os que através da imaginação conseguem ser reconhecidos. Para além dos casos citados devem existir a nível global uma vintena, pouco mais.

Cristina Torrão disse...

De qualquer maneira, implume, a frase, em si, contém muita verdade.

Como digo, Jota, na América do Norte valoriza-se a imaginação, talvez por causa da tradição cinematográfica.

antonio - o implume disse...

Sim, mas sabemos que quem a proferiu não a segue...

Cristina Torrão disse...

Rendo-me ;)