D. Raimundo conde da Galiza, de Zósimo - Trabajo propio, CC BY-SA 4.0,
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Vamos então falar do Pacto Sucessório, firmado entre os condes D. Raimundo e D. Henrique, no verão de 1105 (1)
Não existe cópia deste documento nos arquivos portugueses. E a versão existente na Biblioteca Nacional de França não está datada. O documento é, porém, considerado verdadeiro. Enquadra-se perfeitamente na conjuntura ibérica de 1105.
Afonso VI revolucionou as relações familiares, ao nomear o filho de Zaida seu sucessor. E D. Raimundo resolveu agir. Era conde da Galiza, casado com a única filha legítima do imperador e tornara-se pai, nesse ano, de um filho varão.
Raimundo logrou obter o apoio de um dos clérigos mais influentes em toda a Europa: D. Hugo, abade de Cluny, tio-avô de Henrique. Não custa aceitar que o abade de Cluny preferisse ver o pequeno Afonso Raimundes como herdeiro do imperador Afonso VI, em detrimento do sucessor recentemente nomeado: o infante Sancho.
A mãe de Sancho era muçulmana. No entanto, Zaida ter-se-á convertido ao cristianismo, adotando o nome de Isabel e casando com Afonso VI, legitimando o filho.
D. Hugo de Cluny não aprovou a atuação dos clérigos hispânicos envolvidos neste caso. E chegou ao ponto de “apadrinhar”, digamos assim, a realização do pacto secreto, que era uma verdadeira traição ao imperador.
O poderoso abade enviou à Hispânia um seu representante, Dalmácio Geret. E foi na presença deste que os dois cunhados Raimundo e Henrique firmaram o Pacto Sucessório, do qual falarei no próximo vídeo.
(1) Data considerada verosímil por Luís Carlos Amaral e Mário Jorge Barroca, in TERESA, A CONDESSA-RAINHA, Temas e Debates 2020, p. 42.

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