Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

4 de outubro de 2026

Texto da Rapidinha #61

O CONDE D. HENRIQUE (5)

HENRIQUE E RAIMUNDO FIRMAM UM PACTO SECRETO

"Pacto Sucessório”, Recueil de Chartes de CLUNY,

Bibliothèque Nationale de France, Département des manuscrits, Colecção Baluze nº 86, f. 470 
 
 
Já vimos que, nos primeiros sete a oito anos de casamento, Henrique e Teresa permaneceram fiéis ao imperador de toda a Hispânia. Mas o contexto sociopolítico mudou radicalmente, nos primeiros anos do século XII.

Não se sabe exatamente a data, mas Afonso VI, que já não era novo, e receoso por ter uma única filha legítima, resolveu nomear seu sucessor um filho que tinha da barregã Zaida. Ora, esse filho, ainda criança, passa a ser o infante D. Sancho, herdeiro do império do pai.

Em princípio, esta decisão não afetaria grandemente o casal Henrique/Teresa. Mas pode-se imaginar o impacto que teve no casal Raimundo/Urraca. D. Urraca era a única legítima, filha da rainha D. Constança. Podemos imaginar a sua revolta. E, depois de lhe nascer o filho Afonso Raimundes, a 1 de março de 1105, o casal resolveu agir.

Raimundo e Urraca solicitaram a cooperação de Henrique e Teresa.

É difícil de dizer que tipo de relação tinham os dois casais. Sabemos que as irmãs, depois de viúvas, se guerrearam. Mas isto aconteceu mais tarde, numa situação completamente diferente.

E, mesmo pondo a hipótese de os quatro não morrerem de amores uns pelos outros, Henrique resolveu cooperar. E porquê? Porque, pela primeira vez, se lhe apresentou a possibilidade de expandir o seu poder para lá do condado Portucalense.

Os dois, Henrique e Raimundo, estabeleceram um pacto secreto, à revelia do sogro, onde determinavam como deveriam ser divididas as possessões de Afonso VI, depois da morte deste.

Uma verdadeira traição ao sogro. E um dos pactuantes era um homem que a nossa historiografia destituiu de qualquer mácula. Mais: uma traição que nem pode ser justificada com a vontade de libertar o condado Portucalense do jugo leonês. D. Henrique tinha outras ambições.

Como nos dizem Amaral e Barroca, o pacto revela as enormes aspirações que alimentavam D. Raimundo e D. Henrique. (1)

No próximo vídeo, veremos em que consistia.


(1)  TERESA, A CONDESSA-RAINHA, Luís Carlos Amaral e Mário Jorge Barroca (2020), p. 160

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