Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.
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15 de janeiro de 2026

Um ano com D. Dinis (72)

TRANSFERÊNCIA DO ESTUDO GERAL DAS CIÊNCIAS

Em Janeiro de 1307 (não se sabe o dia) fez-se o primeiro pedido de transferência, de Lisboa para Coimbra, do Estudo Geral das Ciências, percursor da Universidade.

O Estudo Geral tinha sido fundado em Agosto de 1290, em Lisboa, através da bula De Statu Regno Portugaliae, emitida pelo papa Nicolau II. Poucos anos depois, iniciaram-se conflitos com a Casa da Moeda em relação ao terreno que D. Dinis doara para a construção do edifício, no Campo da Pedreira à Lapa, perto do Mosteiro de São Vicente de Fora. Também haveria conflitos entre os estudantes e a população de Lisboa, embora os motivos, tanto para uns, como para outros, não sejam hoje claros. No meu romance, tentei dar uma explicação plausível:

O Estudo Geral, porém, continuava a ser um problema bicudo. A contestação dos escolares aumentava, pois a Casa da Moeda instalara-se definitivamente naquele que havia sido o seu edifício e o rei ainda não conseguira disponibilizar os terrenos para a construção de um novo. As querelas descambavam, muitas vezes, em autênticas zaragatas, que se alargavam à população residente à volta do bairro dos estudantes. Estes, por seu turno, reclamavam do monarca a proteção especial que Nicolau IV lhes havia destinado. E Dinis ponderava a transferência do Estudo Geral. Custava-lhe afastá-lo de Lisboa, mas a situação tornava-se insustentável.

Considerava a hipótese de Coimbra. O Estudo Geral teria de se situar obrigatoriamente numa cidade, já que era o bispo quem concedia o grau de licenciado aos estudantes. Santarém e Leiria, por exemplo, não sendo assento episcopal, possuíam apenas o estatuto de vila. Em Portugal, havia apenas nove cidades, tantas, quantos os bispos: a Braga arquiepiscopal à cabeça, seguindo-se Lisboa, Coimbra, Porto, Lamego, Viseu, Guarda, Évora e Silves.

A transferência para Coimbra foi autorizada pelo papa Clemente V em 26 de fevereiro de 1308. No entanto, a Universidade mudaria de local várias vezes, entre Lisboa e Coimbra, e só ficou definitivamente instalada junto ao Mondego mais de dois séculos depois da morte de D. Dinis.

À altura da Fundação do Estudo Geral das Ciências de Lisboa, já existiam as Universidades de Paris, Oxford, Cambridge, Nápoles, Pádua, Montpellier e Salamanca, todas fundadas na primeira metade do século XIII. Bolonha, a mais antiga, foi fundada ainda no século XII.

Estátua D. Dinis Coimbra.jpg

Estátua de D. Dinis, em Coimbra

26 de fevereiro de 2025

Um ano com D. Dinis (8)

TRANSFERÊNCIA DO ESTUDO GERAL

 

Faz hoje 717 anos que o papa Clemente V autorizou a transferência do Estudo Geral para Coimbra, cerca de um ano depois de ter sido feito o pedido. O Estudo Geral das Ciências, percursor da Universidade, foi fundado em Lisboa, em Agosto de 1290, mas D. Dinis decidiu transferi-lo para Coimbra cerca de dezassete anos mais tarde.

Do meu romance:

           No início de 1306, Dinis reuniu-se com o arcebispo de Braga e o bispo de Coimbra, a fim de tratar de um assunto que não tolerava mais adiamentos: a transferência do Estudo Geral para Coimbra. A situação em Lisboa tornara-se insustentável, os escolares não mais haviam parado com os seus protestos e os conflitos iam-se agravando, afetando, não só grande parte da população, como os visitantes. Ao porto de Lisboa chegavam frequentemente galés estrangeiras e os estudantes, no seu descontentamento, abusavam da imunidade que Nicolau IV lhes concedera, envolvendo-se em toda a espécie de rixas.

            O Estudo, porém, teria de ser preservado, Dinis via a necessidade de formar especialistas portugueses, sobretudo em leis. Coimbra parecia ser a solução ideal, era bem mais sossegada e o rei planeava criar um burgo, adjacente à alcáçova, exclusivamente destinado aos estudantes. Além disso, o mosteiro dos Cónegos Regrantes de Santa Cruz, com a sua biblioteca, estaria em condições de lhes dar o mesmo apoio do de São Vicente de Fora, fundado por Afonso Henriques precisamente em homenagem ao de Santa Cruz de Coimbra.

            D. Estêvão Anes Bochardo, chanceler-mor do reino e bispo de Coimbra, regozijava-se com a transferência. A colaboração de D. Martinho Peres de Oliveira, arcebispo de Braga, era imprescindível, pois a medida teria de ser aprovada por Roma.

 

A Universidade haveria de trocar de local, sempre entre Lisboa e Coimbra, durante alguns séculos.

26 de janeiro de 2020

Lisboa e Porto

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Imagem TV Today 18 a 31-01-2020

Ontem, um canal regional alemão, pertencente ao 1º canal público ARD, mostrou um pequeno programa sobre duas cidades portuguesas. A revista televisiva que costumo comprar, porém, fez uma imensa confusão entre as duas. Traduzindo o texto acima: «Lisboa conta-se entre as "boomtowns" turísticas na Europa. Mais de seis milhões de visitantes anuais - para apenas 500.000 habitantes. A reportagem guia-nos às grandes Praças do Rossio e do Comércio, ao lindíssimo bairro de Alfama e ao Mercado da Ribeira. Depois, segue para o Porto, na margem do Douro».

Presumo que os «500.000 habitantes» deviam pertencer ao Porto. E a legenda da imagem vai ainda mais longe: «Arquitectura imponente: a ponte Dom Luís I em Lisboa»!

Um texto destes é capaz de pôr os cabelos em pé de qualquer português. Para os mais radicais, aqueles que levam a um nível muito pessoal a rivalidade (que se quer saudável) entre as duas maiores cidades do nosso país, um texto destes pode ser mesmo caso para insultos aos responsáveis da revista.

Apesar de também criticar a falta de cuidado com que este pequeno texto foi escrito, aconselho um respirar fundo aos mais indignados. Afinal, se uma revista televisiva portuguesa fizesse uma confusão destas entre Berlim e Hamburgo, não nos merecia mais do que um encolher de ombros (quando muito... e só para quem estivesse em condições de detectar os erros). E eu, que vi o programa, garanto que não se misturaram as duas cidades. Foi uma pequena reportagem interessante, que é bem capaz de atrair ainda mais turistas ao nosso país. Se isso é bom, ou mau, fica ao critério de cada um.


Também publicado aqui.

15 de janeiro de 2016

Transferência do Estudo Geral das Ciências

Foi em Janeiro de 1307 (não se sabe o dia exato) que se fez o pedido de transferência, de Lisboa para Coimbra, do Estudo Geral das Ciências, percursor da Universidade.

O Estudo Geral tinha sido fundado em Agosto de 1290, em Lisboa, através da bula De Statu Regno Portugaliae, emitida pelo papa Nicolau II. Poucos anos depois, iniciaram-se conflitos com a Casa da Moeda em relação ao terreno que Dom Dinis doara para a construção do edifício, no Campo da Pedreira à Lapa, perto do Mosteiro de São Vicente de Fora. Também haveria conflitos entre os estudantes e a população de Lisboa, embora os motivos, tanto para uns, como para outros, não sejam hoje claros. No meu romance, esforcei-me por dar uma explicação plausível:



O Estudo Geral continuava a ser um problema bicudo. A contestação dos escolares aumentava, pois a Casa da Moeda instalara-se definitivamente naquele que havia sido o seu edifício e o rei ainda não conseguira disponibilizar os terrenos para a construção de um novo. As querelas descambavam, muitas vezes, em autênticas zaragatas, que se alargavam à população residente à volta do bairro dos estudantes. Estes, por seu turno, reclamavam do monarca a proteção especial que Nicolau IV lhes havia destinado. E Dinis ponderava a transferência do Estudo Geral. Custava-lhe afastá-lo de Lisboa, mas a situação tornava-se insustentável.
Considerava a hipótese de Coimbra. O Estudo Geral teria de se situar obrigatoriamente numa cidade, já que era o bispo quem concedia o grau de licenciado aos estudantes. Santarém e Leiria, por exemplo, não sendo assento episcopal, possuíam apenas o estatuto de vila. Em Portugal, havia apenas nove cidades, tantas, quantos os bispos: a Braga arquiepiscopal à cabeça, seguindo-se Lisboa, Coimbra, Porto, Lamego, Viseu, Guarda, Évora e Silves.


A transferência para Coimbra foi autorizada pelo papa Clemente V em 26 de Fevereiro de 1308. No entanto, a Universidade mudaria de local, entre Lisboa e Coimbra, várias vezes, e só ficou definitivamente instalada junto ao Mondego muito depois da morte de Dom Dinis.

À altura da Fundação do Estudo Geral das Ciências de Lisboa, já existiam as Universidades de Paris, Oxford, Cambridge, Nápoles, Pádua, Montpellier e Salamanca, todas fundadas na primeira metade do século XIII. Bolonha, a mais antiga, foi fundada ainda no século XII.


Estátua D. Dinis em Coimbra

8 de maio de 2011

Rio Merdário ou Merdeiro

Numa série de posts sobre a água e os seus usos, nas Memórias de Araduca, lê-se que, para o caso de Guimarães, surge, em documentos medievais, a expressão "rio merdário" ou "merdeiro": designação genérica dos cursos de água que funcionavam como colectores dos esgotos produzidos nas zonas urbanas medievais, de que não faltam exemplos em documentação medieval dos países do Sul da Europa. O autor do blogue, António Amaro das Neves, dá-nos, além de Guimarães, os exemplos de Milão, Piacenza, Novara e Como, na Itália; Cuixà, na Catalunha francesa e Lérida, na Catalunha espanhola.

Eu também encontrara expressão análoga, relativa à cidade de Lisboa, e afirmei-o num comentário, ao qual o autor deu relevo (o que, mais uma vez, agradeço). Aliás, os leitores do meu romance sobre D. Dinis encontram referido, por várias vezes, o "Rego Merdeiro" lisboeta.



No seu livro Lisboa Medieval (Edições Colibri 2008), cujo texto corresponde à sua tese de doutoramento, Carlos Guardado da Silva, além de nos informar sobre as origens da cidade, desde Olisipo a Lušbūna (a Lisboa árabe) dá-nos um retrato completo de Lisboa, desde a sua conquista por D. Afonso Henriques, em 1147, até aos finais da Idade Média.

Assim nos surge o curso de água que atravessava a actual Praça do Comércio e ia desaguar no Tejo e que, no século XIII, se denominava "Rego Merdeiro", precisamente por servir de escoamento aos dejectos urbanos. À altura da conquista da cidade por D. Afonso Henriques, tratava-se de um largo esteiro (referido, entre outros, por Saramago, no seu História do Cerco de Lisboa). No século XIII, porém, Lisboa já crescera para fora da Cerca Moura e o esteiro passara a córrego mal-cheiroso. Tanto, que D. Dinis o mandou encanar. O "Rego Merdeiro" acabou por desaparecer debaixo de construções e, mais tarde, do Terreiro do Paço.

Nota: A série de textos de António Amaro das Neves sobre a água e os seus usos, surge a propósito da exposição "Água é Património", que pode ser visitada no Arquivo Municipal Alfredo Pimenta (Guimarães), de 18 de Abril a 21 de Outubro de 2011.

Os textos do blogue são baseados no livro Mãe-d'água: centenário do abastecimento público de Guimarães, António Amaro das Neves (coordenação e textos), Francisco Costa e António Bento Gonçalves (textos), Eduardo Brito (fotografias) ed. Vimágua/Sociedade Martins Sarmento, 2007.

P.S. Para quando um retrato extensivo de Lušbūna? Aqui fica o meu apelo aos licenciados em História!

7 de maio de 2011

Ainda a propósito da 81ª Feira do Livro de Lisboa (com condomínios privados pelo meio e, mais uma vez, o "megalito" da Babel)

 Palavras de José Mário Silva, o Bibliotecário de Babel (clique, para ler o texto completo):

Se nas últimas edições a LeYa já tinha construído uma espécie de Feira dentro da Feira, os condomínios privados (chamemos-lhes assim) agora multiplicaram-se (...) e a Babel inventou aquele túnel escuro por fora e abafado por dentro (estreito, apertadinho, vagamente claustrofóbico) que mais parece uma metáfora do país.

Será que todos os pavilhões deviam ser iguais, como eram há dez anos? Não sei. Mas a Feira do Livro sempre se distinguiu por ser um espaço onde as assimetrias entre as grandes editoras e as pequenas se esbatiam. Todos tinham direito ao seu espaço, proporcional ao respectivo catálogo e volume de negócios. Hoje, há claramente uma burguesia da edição, a dos grandes grupos açambarcadores de espaço e arquitectonicamente exibicionistas, em contraste com o resto das editoras proletárias, reduzidas a uma uniformidade que a APEL impõe só a alguns. O certo é que há dois pesos e duas medidas, duas Feiras distintas, sobrepostas mas não coincidentes, o que cria uma estranheza a que eu, frequentador há mais de 30 anos, duvido que me venha a habituar.

6 de maio de 2011

A Propósito da 81ª Feira do Livro de Lisboa (já cá faltava)

O blogue da revista Os Meus Livros publica, mensalmente, as Crónicas do Eugénio dos Livros, assinadas por A. V. Gostei particularmente da última, a propósito da Feira do Livro de Lisboa. Aqui está ela, surripiada:


Eugénio vai à Feira

− Feira do Livro? Ouve o que te digo: só vai à Feira do Livro quem não compra livros durante o ano. Há mais gente por lá para comer gelados do que para calcorrear stands e stands de livros, muitos deles técnicos, de direito, infantis e outros. Algures, ainda se encontram uns alfarrabistas e vendedores de best-sellers, mas mais nada. Acho que já nem se devem vender livros na Feira, digo eu.
Não havia dúvida, o tio Adolfo tinha acordado num dia mau e Eugénio fizera o erro de o ir visitar, como habitualmente fazia, com a sua querida mãezinha aos sábados de manhã.
− Fui no ano passado e chegou-me. Nem morto me apanham lá de novo, este ano.
Maldizia agora Eugénio a hora em que lhe dissera que a Feira do Livro de Lisboa tinha começado, e que por lá passara na primeira quinta-feira e vira o movimento das gentes e dos livros.
− Viste foi chuva, é o que é. Aquilo já não é para mim!
Eugénio tinha até visto a Lídia Jorge andando por lá e sentiu-se tentado a ir falar com ela, dizer-lhe que tinha gostado bastante do seu último livro, mas, à última da hora, vacilou, acabando sentado numa das cadeiras da praça LeYa a fingir folhear um livro enquanto olhava de soslaio para a autora. A história da minha vida, pensou.
Com o rejuvenescimento da Feira, Eugénio pensa se a mesma não afasta pessoas como o tio Adolfo. Será que ele preferia andar a esturricar ao sol, subindo uma ladeira imensa sem sítio onde descansar, sem música, cadeiras, quase sem debates ou animação?
Eugénio pensava nisto e veio-lhe à cabeça o espaço da Babel, três megálitos negros deitados que parecem querer apontar a resposta do futuro quando, no fundo, nada mais são do que uma incompreensão sepulcral sobre o que foi e deverá ser esta feira.
Acho que não é da idade, mas se a Feira se tornar assim também eu passarei a soar como o meu tio Adolfo, suspirou Eugénio.
A.V.

2 de fevereiro de 2011

Quando Lisboa Tremeu


Uma boa ideia, já cá faltava um romance que desse a dimensão da tragédia. Gostaria, no entanto, de fazer um reparo, algo que me irritou durante toda a leitura.

É verdade que um inglês, por mais tempo que viva em Portugal, nunca conseguirá falar Português correcto. E também é verdade que o Inglês se tornou numa língua universal.

Mas estamos no século XVIII! Gostava que me explicassem como é que um homem, que passa o tempo todo a dizer coisas do género: "Damn! Eu forgot que eles are coming", é entendido por uma escrava e mais uma data de gente que nunca aprendeu línguas!

Um doce a quem me der uma explicação verosímil!

3 de janeiro de 2011

D. Dinis, o seu Aniversário e a Universidade Portuguesa

D. Dinis nasceu a 9 de Outubro de 1261, ou seja, em 2011 completam-se 750 anos sobre a data. Não sei se a efeméride passará despercebida, ou se se procederá a algum tipo de comemoração. A cidade de Coimbra teria boas razões para assinalar o acontecimento, mas, acima de tudo, Lisboa.

É curioso constatar que os dois reis mais significativos da nossa Idade Média estão, pela tradição, ligados às cidades "erradas". D. Afonso Henriques é identificado com Guimarães. Foi lá que ele assentou arraiais na sua juventude, talvez até lá tenha nascido (também aqui hei-de abordar a polémica do seu nascimento). A verdade, porém, é que foi em Coimbra que o primeiro rei estabeleceu a sua corte, fundando o mosteiro dos Cónegos Regrantes de Santa Cruz, no início dos anos 1130, data a partir da qual poucas vezes esteve em Guimarães, até à sua morte, em 1185 (são mais de cinquenta anos).

Claustro da Igreja de Santa Cruz de Coimbra


Por sua vez, a "cidade querida" de D. Dinis era Lisboa. Seu pai, D. Afonso III, foi o primeiro monarca a estabelecer a corte definitivamente na cidade junto à foz do Tejo.

Vista sobre o Tejo a partir do Castelo de S. Jorge


A segunda cidade preferida de D. Dinis parece ter sido Santarém (que, à altura, era vila, por não ser assento episcopal) e só em terceiro lugar viria Coimbra (não esquecendo que Leiria contava igualmente entre as preferências do par real). Para a identificação da cidade junto ao Mondego com o Rei Lavrador contribuiu, acima de tudo, a sua esposa D. Isabel, que lá viveu recolhida, depois de enviuvar, no mosteiro de Santa Clara. E foi lá, nos Paços que a Rainha Santa habitou, que se deu a tragédia de Inês de Castro.

D. Dinis ficou conhecido, acima de tudo, por ter fundado a primeira Universidade Portuguesa, primeiramente apelidada de Estudo Geral e cujo verdadeiro berço foi a cidade de Lisboa. A esse propósito, cito, mais uma vez, o meu romance:

 
De facto, eram várias as matérias a considerar, por exemplo, a escolha de um local para o Estudo Geral. Dinis resolveu construir um edifício de raiz, onde funcionassem as aulas e onde se acomodassem os estudantes de poucas posses. O rei acabou por decidir instalar a instituição no Campo da Pedreira, abaixo do Mosteiro de São Vicente, junto à Lapa. O terreno pertencia ao capítulo da Sé de Lisboa, pelo que o monarca tencionava permutá-lo com as rendas de casas ou tendas que valessem por ano trinta e cinco libras. O Estudo Geral ficaria assim situado no extremo sudeste de Lisboa, nos limites das freguesias de Santo Estêvão de Alfama e de São Vicente de Fora.

S. Vicente de Fora visto do Castelo de S. Jorge


Decorria o ano de 1289. E só dezoito anos mais tarde o Estudo Geral seria transferido para Coimbra. Sobre as razões, pouco se sabe, fala-se em desentendimentos entre os estudantes e a população lisboeta, havendo, pelo meio, uma confusão com a Casa da Moeda, que D. Dinis instalou no edifício, em princípio, destinado ao Estudo Geral.

A polémica não ficou por aqui. No reinado do filho, D. Afonso IV, a Universidade tornou a ser transferida para Lisboa, regressando a Coimbra apenas em 1354, já reinava o neto D. Pedro I, quase trinta anos depois da morte de D. Dinis.

(Para ler mais excertos do romance clicar na etiqueta Citando o Lavrador).