O desafio do blogue da revista
Os Meus Livros,
escrever sobre um político português que tem uma identidade secreta e é um super-herói, inspirou-me um texto. Resolvi participar no passatempo e
acabei por ganhar um livro! Obrigada OML!
Podem ler o texto no
link indicado, mas também me apetece publicá-lo aqui:
“O meu nome é Sócrates, José Sócrates”.
Toda a gente sabe que fui
primeiro-ministro. Mas o que ninguém sabe é que, ao mesmo tempo, fui também…
Que disse? Um filósofo? Não (risos). Fui
também um agente secreto. É verdade! Ao serviço de Sua Majestade.
Como? Portugal não é uma monarquia? E
quem disse que eu trabalhava para Portugal? No interesse de Portugal?
Para quem é que eu trabalhava? Que
Majestade servia? Não sei. Nem me interessa. Um agente secreto que se preze,
com ordem para matar, trabalha sempre ao serviço de Sua Majestade. Ponto final.
Quem é que eu matava? Quem calhava. O
que interessava era fazer boa figura e dar sempre a impressão de que cumpria as
minhas tarefas com uma perna às costas. Sempre bem vestido, sempre aprumado…
Se era difícil? Não. Quando se tornava
difícil, eu punha um daqueles sorrisos que não comprometem ninguém, mas que
caem sempre no goto de quem nos olha, e repetia: “O meu nome é Sócrates, José
Sócrates” (risos).
Nem imaginam o que me divertia! Que saudades
eu tenho desse tempo! Dinheiro, aventura, emoção, alta sociedade, cocktails,
mulheres…
Se eu era actor num filme? Não, era a
vida real… Penso eu… Olhem, se querem mesmo saber, já nem sei bem. E, de repente,
tudo acabou! É verdade.
Porquê? Também não sei bem. Mas, por
algum motivo, deixei de ter piada. E fiquei muito triste.
Agora? Bem… Essa do filósofo não é má
ideia. Alguém me disse que Sócrates era nome de filósofo… Acho que vou para
França, disseram-me que dá muito prestígio. Depois, regresso com nova imagem,
peço um vodka martini batido, não mexido, digo “O meu nome é Sócrates, José
Sócrates”, e caiem-me novamente todos aos pés!
Não acreditam? Esperem, para ver!