Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

06 maio 2011

A Propósito da 81ª Feira do Livro de Lisboa (já cá faltava)

O blogue da revista Os Meus Livros publica, mensalmente, as Crónicas do Eugénio dos Livros, assinadas por A. V. Gostei particularmente da última, a propósito da Feira do Livro de Lisboa. Aqui está ela, surripiada:


Eugénio vai à Feira

− Feira do Livro? Ouve o que te digo: só vai à Feira do Livro quem não compra livros durante o ano. Há mais gente por lá para comer gelados do que para calcorrear stands e stands de livros, muitos deles técnicos, de direito, infantis e outros. Algures, ainda se encontram uns alfarrabistas e vendedores de best-sellers, mas mais nada. Acho que já nem se devem vender livros na Feira, digo eu.
Não havia dúvida, o tio Adolfo tinha acordado num dia mau e Eugénio fizera o erro de o ir visitar, como habitualmente fazia, com a sua querida mãezinha aos sábados de manhã.
− Fui no ano passado e chegou-me. Nem morto me apanham lá de novo, este ano.
Maldizia agora Eugénio a hora em que lhe dissera que a Feira do Livro de Lisboa tinha começado, e que por lá passara na primeira quinta-feira e vira o movimento das gentes e dos livros.
− Viste foi chuva, é o que é. Aquilo já não é para mim!
Eugénio tinha até visto a Lídia Jorge andando por lá e sentiu-se tentado a ir falar com ela, dizer-lhe que tinha gostado bastante do seu último livro, mas, à última da hora, vacilou, acabando sentado numa das cadeiras da praça LeYa a fingir folhear um livro enquanto olhava de soslaio para a autora. A história da minha vida, pensou.
Com o rejuvenescimento da Feira, Eugénio pensa se a mesma não afasta pessoas como o tio Adolfo. Será que ele preferia andar a esturricar ao sol, subindo uma ladeira imensa sem sítio onde descansar, sem música, cadeiras, quase sem debates ou animação?
Eugénio pensava nisto e veio-lhe à cabeça o espaço da Babel, três megálitos negros deitados que parecem querer apontar a resposta do futuro quando, no fundo, nada mais são do que uma incompreensão sepulcral sobre o que foi e deverá ser esta feira.
Acho que não é da idade, mas se a Feira se tornar assim também eu passarei a soar como o meu tio Adolfo, suspirou Eugénio.
A.V.

3 comentários:

Bartolomeu disse...

Sou um pouco como o tio do Eugénio, difícilmente me apanham na feira. Prefiro comprar os livros que me interessam on-line, ou então na Bertrand.
Não sei... mas já sem feira, a alameda do parque, nunca foi lugar que me seduzisse... aquilo até é amplo e tem uma vista porreiráça, mas... ha qualquer coisa no ar que me causa algum desconforto, algo inexplicável. Gosto de ir à Bertrand, de cuscuvilhar os últimos títulos e, se algum me interessa, compra-lo, ou então, se já levo um autor ou um título pré-escolhido e não dou logo com ele às primeiras, dirijo-me à menina do balcão e ela consulta a base de dados e diz-me logo se tem e onde está.
Assim é que eu gosto, simples e directo.
;))

antonio - o implume disse...

A feira pressupõe um passeio agradável por entre os stands e observação das capas dos livros. Uma espreitadela fugaz a um ou outro autor.

Não fui à de Lisboa, vou amanhã à de Moura, mas envolve ensopado de borrego e mousse de chocolate.

Bartolomeu disse...

Ah bom... se envolve ensopado... já estamos a falar de cultura. Issaí já é outra escrita!
;)))
Bom apetite!