Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

29 julho 2011

Ainda a propósito dos livros esgotados

A opinião que o Manuel Cardoso escreveu sobre Afonso Henriques - o Homem (entretanto, também publicada no Destante) despertou a curiosidade de algumas pessoas, como Iceman, que tentou adquirir o livro, mas disseram-lhe que estava esgotado (inclusive a própria editora!). Ele perguntou aqui no Andanças quando sairia a 3ª edição. Irritada com este absurdo de dar um livro por esgotado, quando há exemplares armazenados num qualquer depósito, decidi publicar um post a elucidar o caso.

Iceman iniciou um périplo por várias livrarias da capital e arredores e acabou por encontrar o livro. Já Candido, um comentador do 2711, apesar de ter encomendado os livros na Fnac de Cascais (nas suas palavras, depois da minha insistência de que não estavam esgotados) acabou por receber, dias depois, a mensagem de que não seria possível efectuar o seu pedido de livros!!! Pelos vistos, neste caso, não adianta ir à Fnac...

Outros comentadores partilharam as suas experiências e trocaram-se impressões sobre o comportamento dos funcionários nas diferentes livrarias, desde o livreiro solícito e bem informado, ao estudante que só lá está a ganhar uns cobres e que não terá muito interesse em deixar boa impressão no cliente. João Raposo falou da boa experiência que teve na Leitura do Bom Sucesso, que, apesar de ter o seu stock esgotado, confirmou que havia exemplares noutras lojas do grupo, oferecendo-se para os arranjar. A Teresa, além de dizer que este não era caso único, também foi convenientemente informada na Bulhosa das Torres Gémeas. Por fim, também a Laura veio partilhar a sua boa experiência na Barata.

De qualquer modo, chamo a atenção para o seguinte: se há casos em que os livros são dado como esgotados, quando ainda existem exemplares que, anos depois, são destruídos pelas editoras, algo está errado neste negócio!

10 comentários:

Liliana Lavado disse...

Há coisas que realmente não é possível entender... como é que a própria "industria" editorial sabota o trabalho de quem a suporta...
Paciência Cristina e continua a escrever :)

Iceman disse...

Cara Cristina.

Correndo o risco de ofender alguns (é normal em Portugal as pessoas não gostarem de ler/ouvir opiniões divergentes sem logo insultar), penso que a Cristina por viver fora do país não se apercebe que a verdadeira causa desse "esgotamento" dos livros, que não existe, ou desse "estar a borrifar" por parte das livrarias, são devido a dois grandes males português: preguiça e ausência de noção de qualidade e serviço ao cliente!

Isso vê-se em praticamente todas as actividades. Desde a pequena empresa, à grande, passando pelo serviço directo que é prestado ao balcão. De restaurantes, a cafés, passando por bibliotecas ou lojas de roupa/sapatos. O que eu vejo é que os funcionários raramente se preocupam com as necessidades do cliente e em dar a melhor imagem da empresa.

Não é por acaso que Portugal está na situação em que está, pois podemos apontar politicas desastrosas, o que é verdade, mas também falta, e muito, uma cultura de exigência e qualidade às pessoas.

Por isso eu que eu afirmava que achava normal os funcionários não quererem saber. O problema se pode apontar apenas à vontade das pessoas, mas ao que está por detrás, ou seja, são as próprias empresas que fomentam essa ausência de valores acima referidos.

Daniel Santos disse...

Já deixei o Link num comentário do 2711, mas aqui fica mais uma vez:

http://www.bertrand.pt/?palavra=cristina%20torr%C3%A3o

fallorca disse...

«...Pelos vistos, neste caso, não adianta ir à Fnac...»
Olha a novidade; só para levar com radiações, fazer quimioterapia. É por isso que chamo a essa cadeia de «temos de tudo e o que não temos», Offnac...

Cristina Torrão disse...

Este tema continua a proporcionar comentários interessantes :)

Pois é, Liliana, esta "indústria" editorial tem que se lhe diga. Vivendo no estrangeiro, apercebo-me de muito pouco, mas acho que funciona um pouco assim: os editores é que decidem quem deve vender muitos livros, os motivos prendem-se com "conhecimentos" e "relações", a qualidade dos livros é assunto secundário. Quando ganhei o concurso literário do Continente, um dos responsáveis da editora esteve no lançamento do livro (compromissos com o supermercado, não consideração por mim). Sem usar as palavras, sem sequer falar, transmitiu-me a seguinte mensagem: "chegaste aqui, porque o supermercado paga a edição do livreco que escreveste. Aproveita o momento, mais alto do que isto, não alcanças. Nem te adianta tentar." Se eu tinha algum talento que devia ser aproveitado, ou "educado", foi coisa que não lhe passou pela cabeça.

A isto se junta a falta de uma cultura de exigência e qualidade, de que o Iceman fala, que, em Portugal, se estende à maior parte das actividades.

Daniel, obrigada.

Offnac, fallorca, tchim tchim ;)
Cuidado com as radiações...

antonio ganhão disse...

Estou na Feira Medieval da Feira e não consigo encontrar o teu livro, mas ainda não perdi a esperança...

Cristina Torrão disse...

Eu também não...

Manuel Cardoso disse...

Só tenho uma coisa a dizer:
QUE VERGONHA!!!!
Que vergonha, senhores!

Cristina Torrão disse...

Obrigada pelo apoio, Manuel :)

Anónimo disse...

Eu gosto de ler andancasmedievais.blogspot.com e eu conceber este site tem algumas coisas realmente úteis sobre isso!