Eu até nem gosto de Tom Cruise, mas ele está quase irreconhecível neste filme. A pala no olho também ajuda (talvez devesse actuar sempre assim), mas muito do mérito vai para o realizador Bryan Singer que o disciplinou numa representação muito contida, sem trejeitos nem sorrisos imbecis.
Operação Valquíria agradou-me, é muito fiel aos factos reais, passe um ou outro tique sensacionalista, próprio dos americanos. Trata-se de um atentado falhado a Adolf Hitler, em Julho de 1944. Mesmo sabendo o final da história, o filme é construído com muito suspense, fica-se, até ao fim, numa esperança ingénua de que Hitler esteja mesmo morto e que a guerra acabe um ano mais cedo.
Houve várias tentativas de matar Hitler, todas falhadas, uma delas levada a cabo pelo general Henning von Treskow, aqui interpretado por Kenneth Branagh, conseguindo pôr uma bomba num avião em que o ditador embarcou, mas que, por algum motivo, não chegou a explodir. Por isso, também o general Henning von Treskow se junta ao grupo de conspiradores à volta do coronel Claus von Stauffenberg, interpretado por Cruise.
Claus von Stauffenberg assiste à explosão que ele mesmo provocou e regressa a Berlim na convicção de que Hitler está morto. Uma vez na capital alemã, inicia todo o processo de desmantelar o regime nazi, que passa pela prisão dos elementos da SS Gestapo, a fim de poder negociar, o mais depressa possível, um cessar-fogo com os Aliados, provocando uma autêntica revolução.
As novas ordens são cumpridas, em muitos casos, com entusiasmo, pelo simples motivo de acreditarem na morte de Hitler. Quando esta é desmentida, tornam a mudar de atitude. Cobardia? "Vira-casacas"? Não há dúvida de que se trata de medo, de puro medo! Um medo que passa para o espectador, que também se pergunta o que faria, naquela situação, pois é certo que qualquer traidor será executado. Este estado de espírito culmina na cena em que Goebbels, o chefe da Gestapo, está na iminência de ser preso, na minha opinião, um dos melhores momentos do filme.
Escusado será dizer que o coronel Claus von Stauffenberg e muitos dos seus colaboradores são executados, nessa mesma noite.
Este filme lembra-nos que o terror da ditadura nazi também se fez sentir na própria Alemanha. Não estou a negar que montes deles eram nazis por convicção. Mas também é verdade que, com uma arma apontada à cabeça, qualquer um de nós se pode transformar num assassino.












