Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

02 maio 2012

Da Língua Portuguesa

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Nós, os portugueses, originários de um país periférico, que já não é bem Europa, mas que ainda não é África, nem América, pomos sempre muito empenho no difundir da nossa língua. Porque já fomos grandes e espalhámos o idioma pelos quatro cantos do mundo, achamos que o mundo, hoje em dia, está muito interessado na divulgação do português.
Longe disso! Nos países de expressão latina, ainda há um certo reconhecimento pela língua de Camões, mas, saindo desse círculo (na Alemanha, por exemplo), o português é encarado como um idioma exótico. Quando dei aulas de português a alemães, em escolas de línguas de Hamburgo, os cursos da nossa língua eram mais caros que os de castelhano, inglês, francês e italiano, porque eram postos a par dos de idiomas mais raros e menos procurados, como o dinamarquês, o holandês, ou o sueco. E até o facto de um dos países maiores do mundo falar português não ajuda, porque o Brasil é incluído na América do Sul, onde domina o castelhano. Podem não acreditar, mas muitos alemães, pessoas até bem informadas, ficam admirados por eu lhes dizer que no Brasil se fala português. Respondem-me: "Ah, sempre pensei que fosse espanhol..." (Eles dizem sempre "espanhol" - spanisch). São atitudes que já não me chocam, afinal, vim para aqui no longínquo Setembro de 1992.

Vem isto a propósito de finalmente ter visto, num jornal alemão, o português ser considerado um idioma dominante. Porém, não com aspetos positivos. Um Professor de Linguística da Universidade de Bremen organizou uma Conferência Internacional, no passado mês de Março, sobre impérios linguísticos que se impõem e fazem desaparecer línguas mais raras e fracas.
O inglês, o russo e o chinês são considerados os maiores impérios linguísticos. Mas, para demonstrar como as línguas dominantes contribuem para a perda de cultura e património, o Professor Thomas Stolz deu o exemplo do português. Disse ele que o avanço da nossa língua no Amazonas asfixia as línguas locais que têm inúmeras palavras para definir troncos e folhas da flora local. Com o desaparecimento desses termos, que não têm equivalência em qualquer outra língua, perdem-se, segundo o Professor Stolz, conhecimentos sobre o meio-ambiente e a maneira de o preservar.

Pois! Quem é que nos mandou ir declamar os Lusíadas para a selva amazónica?

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