Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

15 de dezembro de 2011

Centenário

O post A Conquista do Pólo Sul atingiu a lista dos cinco mais lidos na barra lateral. Presumo que tenha acontecido à custa das buscas do Google, pois fez ontem exactamente 100 anos que o norueguês Amundsen se tornou no primeiro ser humano a atingir esse pedaço de Terra (ou de gelo). Mas a sua conquista foi ensombrada pela tragédia do inglês Robert Scott. Vi, na terça-feira, um documentário actual (data de 2011), na ZDF, sobre o tema. E tornei a verter lágrimas. É uma tragédia humana e animal incrível. Mas o programa era muito objectivo e dei-me conta dos erros sucessivos de Scott.


Enfim, não deixa de ser o meu herói. Porque tenho um fraco pelos britânicos. E porque, como se disse no documentário, ter escrito um tão belo diário. O de Admunsen nem se compara!

Passatempo (VIII)



Neste meu pequeno romance, à volta da Conquista de Lisboa, há um cruzado alemão, a quem os cânticos mouros deixam perturbado, ainda mais, quando ele trava conhecimento com Aischa, dona de uma linda voz.

Neste meu post, afirmei a minha convicção da existência de uma parentela entre os cânticos mouros e o fado. E, aproveitando o facto de este género musical ter sido classificado como Património Imaterial da Humanidade, desafio-vos a escreverem um pequeno texto sobre o fado, que não deve exceder as 300 palavras (cerca de meia página A4 em Times New Roman 12). Quer acreditem nas origens mouras, ou não; quer gostem de fado, ou não. Enviem-me um parágrafo sobre este tema para andancas@t-online.de, até às 23:59 de 23 de Dezembro. O/A vencedor/a receberá um exemplar autografado e com dedicatória de A Cruz de Esmeraldas.

Nota: Está a decorrer um outro tipo de passatempo com o mesmo livro no Viajar pela Leitura.

12 de dezembro de 2011

Passatempos (VII)



Afonso Henriques, o Homem, no Destante


A Cruz de Esmeraldas, no Viajar pela Leitura

Os exemplares serão enviados aos vencedores com dedicatória e autografados.

A partir de quinta-feira, passatempo também aqui, no Andanças!

10 de dezembro de 2011

Consumo exagerado de carne

Eu não apelo à alimentação exclusivamente vegetariana e abomino os substitutos da carne baseados em soja. Mas pergunto: temos mesmo de comer tanta carne? Porque não comer bifes de 180 g, em vez de 250, 300, ou 400g? Basta aumentar o acompanhamento: ao lado do arroz e/ou das batatas fritas, uma boa fritangada de cebola, pimentos e cogumelos, por exemplo. Porque não diminuir a quantidade de carne num guisado? 150 a 200g por cabeça chegam perfeitamente, é só cortar a carne em pedaços mais pequenos e aumentar a quantidade dos outros ingredientes (pimentos, batatas, cenouras, grão-de-bico, etc.).

As informações que se seguem, assim como a imagem, foram retiradas de um jornal católico alemão:


As contas são fáceis de fazer: cada vez mais pessoas comem mais carne. O seu consumo triplicou a nível mundial, desde 1971, na Ásia quadruplicou mesmo, no espaço de trinta anos. Como nos dizem estudos publicados pela Misereor alemã, as rações exigidas para a criação de animais serão, o mais tardar, em 2050, impossíveis de produzir. "A fim de satisfazermos o nosso apetite por carne, precisaríamos de uma segunda Terra", diz Kerstin Lange, da Misereor.

Actualmente, já se utiliza um terço da superfície agrícola para a produção de rações animais, sem contarmos com as pastagens do gado bovino. 18% das emissões de gases nocivos, nomeadamente, o gás metano, vem da criação massiva de animais. Aviários e viveiros gigantescos produzem quantidades enormes de amoníaco, nitratos, metais e antibióticos que infectam os solos e as águas. E não nos esqueçamos de que a produção de carne exige água sem fim, segundo a FAO, para um quilo de carne de vaca são necessários 15.300 litros.

"Continuar desta maneira deixou de ser uma opção", diz-nos Sarah Wiener (cozinheira austríaca), que se empenha numa criação animal sustentável. Organizações ambientais e a Misereor exigem uma reforma da política agrária da União Europeia, a partir do corte das subvenções para a manutenção de aviários convencionais e outros métodos do género. Através da exportação de carne europeia a preços baixos põe-se, igualmente, em causa a existência de pequenos proprietários africanos, tão necessários ao desenvolvimento e ao combate da fome nos seus países.

"A alimentação não é uma questão do foro privado, a alimentação é uma questão política", diz Sarah Wiener.

90% dos animais destinados à nossa alimentação não sabem o que é viver ao ar livre, vivem apertados, sem hipóteses de se mexerem condignamente, em estábulos iluminados por luz artificial. São cortadas as caudas aos leitões, sem qualquer tipo de anestesia, pois os porcos tendem a comer as caudas dos seus semelhantes, quando se vêem em grande stress por falta de espaço. Só na Alemanha, são anualmente gazeados cerca de 50 milhões de pintainhos, apenas porque nascem com o sexo errado (os machos são os prejudicados porque não servem para a produção de ovos).

Estas práticas da indústria alimentar, não só contradizem o princípio cristão do respeito pela Vida e pela Criação, como contribuem para a fome no chamado Terceiro Mundo.

Sugestão de um colaborador do citado jornal: os cristãos deviam regressar ao hábito de não comerem carne às sextas-feiras. De um ponto de vista global, seria quase irrisório, mas, ainda assim, um começo. Principalmente, os homens deviam repensar a sua alimentação, pois estudos provam que eles comem o dobro da carne das mulheres.

Nota: infelizmente, não encontrei uma palavra sobre o tema na Misereor em língua portuguesa.

8 de dezembro de 2011

Uma boa ideia de passatempo


Aquele que com a Santa casou
Em soberba festa
A que dos pães fez rosas
Espinhosa transformação

Foi aquele que poemas legou
Que as dores do coração pôs em verso
O maior dos trovadores
 Que cantou o amor e o escárnio

Foi aquele a quem chamaram lavrador
Não foi por pegar na enxada
Ou se calhar até pegou sabemos lá nós
E ao pinhal de Leiria ficou para sempre ligado

Afinal tantos factos, tantas datas…que sabemos nós
Dos homens que nos governaram outrora?



Foi com este interessante poema (aqui, extractos) que a Sara Fernanda Barros Paredes ganhou o passatempo em Dos Meus Livros. Parabéns! Irá receber um exemplar do D. Dinis autografado.

Esta ideia do Manuel Cardoso agradou-me e, brevemente, iniciarei um passatempo neste estilo: os concorrentes terão de escrever um texto sobre um tema proposto.

6 de dezembro de 2011

Audiolivros

Na Alemanha, além dos e-books, existe, há vários anos, uma outra forma de publicação alternativa aos livros de papel, que representa um grande mercado: os audiolivros. Dir-me-ão que nada substitui a leitura, mas, na verdade, há situações em que um audiolivro pode ser útil. O meu marido utiliza-os nas suas viagens diárias de comboio (cerca de 50 minutos) para o seu local de trabalho. Ele tem dificuldade em concentrar-se na leitura, quando há ruído de fundo (como num comboio, ou num café), de maneira que é fã dos audiolivros.

Nem todos os audiolivros se limitam à audição pura e simples do texto, alguns são verdadeiros "teatros radiofónicos", com várias personagens e ruídos apropriados (por exemplo, num romance histórico medieval, o som dos cavalos ou das batalhas).

Acho pena que em Portugal este modo de publicação seja raro. Foi, por isso, com satisfação que li sobre o lançamento do audiolivro de O Senhor Henri, o primeiro dos habitantes do “Bairro” de Gonçalo M. Tavares a entrar no catálogo da editora Boca, numa co-produção com o Teatro Municipal da Guarda, e inaugurando a colecção Boca de Cena, dedicada ao teatro.


O lançamento realiza-se no Teatro Municipal da Guarda, no dia 10 de Dezembro às 21h30, num espectáculo que se escuta, e ao qual se seguirá uma conversa com os editores, e repete no Bartô, dia 14 de Dezembro às 22h, com o mesmo figurino e com a presença de Gonçalo M. Tavares, José Neves, Luís Henriques e Américo Rodrigues, entre outros intervenientes.

Na minha opinião, uma belíssima ideia e um exemplo a seguir!

Via Bibliotecar

3 de dezembro de 2011

D. Mafalda de Sabóia (retrato de uma mulher medieval)

A única representação de D. Mafalda que encontrei

D. Mafalda de Sabóia (ou Matilde, ou ainda Mahaut, em fancês), a primeira rainha de Portugal, faleceu com cerca de trinta anos, a 3 de Dezembro de 1157, na sequência do parto da infanta D. Sancha.

Não se sabe bem quando nasceu, presume-se que teria de 18 a 20 anos, quando casou com D. Afonso Henriques, em 1146. Era filha do conde Amadeu III de Sabóia e de Mafalda (ou Matilde) de Albon. A família era muito devota, o pai participou em várias cruzadas e fundou muitos mosteiros, vários dos seus irmãos seguiram a vida religiosa. Mas Mafalda viu-se obrigada a partir para Portugal, uma terra de que ela talvez nunca teria ouvido falar, a fim de casar com o seu rei (sobre os motivos que levaram à escolha de D. Mafalda já aqui falei).

Este era, aliás, um destino comum para jovens da nobreza daquela época. Oficialmente, elas deviam dar o seu consentimento para a união matrimonial, a Igreja sempre fez questão de referir esse aspecto. Mas sejamos francos: quem era a jovem que se atrevia a discordar de seu pai, recusando casar com quem ele escolhera? Depois de terem passado toda a sua infância e parte da juventude a não se atreverem a contradizer os mais velhos e a nunca poderem expressar as suas preferências, não tinham meios para recusar qualquer proposta que fosse.




Esta imagem não tem nada a ver com D. Mafalda, mas gosto de a imaginar assim

D. Mafalda esteve doze anos casada com D. Afonso Henriques, deu sete filhos à luz e acabou por morrer dias depois do último parto. Dito assim, é uma história de vida bastante trágica. Teria sido feliz?

No meu romance, eu optei pelo "sim", depois de dificuldades iniciais. Uma das razões foi o facto de o número de filhos se adequar (por assim dizer) aos anos em que estiveram casados; a outra foi porque não se conhecem filhos ilegítimos do rei durante esses doze anos. A versão oficial é que D. Afonso Henriques teve dois filhos em solteiro e duas filhas depois de enviuvar.

O sucessor de D. Afonso Henriques, D. Sancho I, tinha apenas três anos, quando a mãe morreu, não se devia lembrar dela. Para não falar dos dois que nasceram depois dele. Dos sete filhos, aliás, só três chegaram à idade adulta: além do príncipe herdeiro, as duas filhas mais velhas, Urraca e Teresa.

Acabou por ser um destino bem medieval, este, da nossa primeira rainha. Infelizmente, as mulheres eram apenas meios para certos fins, não uma individualidade em si. Mesmo assim, houve quem se destacasse, como D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, que se intitulava "rainha",  o que leva muitos a considerá-la a primeira rainha de Portugal. E é verdade que, depois da morte de seu pai, o imperador da Hispânia, D. Teresa não mais prestou vassalagem ao rei de Leão.

O romance que estou, neste momento, a escrever é dedicado às mulheres medievais anónimas. Já era tempo!

2 de dezembro de 2011

Cancioneiro Medieval Português

Um site valioso: Cantigas Medievais Galego-Portuguesas, onde estão disponibilizados os Cancioneiros da Biblioteca Nacional, da Ajuda e da Vaticana, ou seja, uma edição crítica das cerca de 1680 catingas trovadorescas que chegaram até nós.


O site disponibiliza, ainda, as imagens dos manuscritos e a música, assim como informação sucinta sobre todos os autores, personagens e lugares referidos nas cantigas. Também a “Arte de Trovar”, o pequeno tratado de poética trovadoresca que abre o Cancioneiro da Biblioteca Nacional, se encontra lá.

O texto editado das cantigas dá ainda acesso a um conjunto de informações destinadas a facilitar quer a sua leitura, quer o seu enquadramento histórico (glossário, notas explicativas de versos, toponímia, antroponímia, notas gerais).

É nestas alturas que eu amo a internet!

Via Montalvo e as Ciências do Nosso Tempo

30 de novembro de 2011

Da nossa relação com os animais III

Os animais podem-nos ajudar a sermos melhores pessoas e mais felizes.

O jornal do bispado de Hildesheim publicou uma reportagem sobre uma instituição de Hamburgo que ajuda mulheres com problemas psicológicos, causados por drogas, violência, ou outro tipo de abusos. Essas mulheres sofrem de depressões, disfunções alimentares e neuroses fóbicas. Uma das terapias usadas no seu tratamento inclui cavalos (póneis).

A psicóloga Lisa Kieselhorst, que trabalha há 20 anos neste tipo de terapia, explica-nos: "Os cavalos encaram as pessoas livres de preconceitos. Ao mesmo tempo, espelham o comportamento do próprio ser humano. Para mim é, por isso, muito importante, observar como o cavalo reage a determinada pessoa. Pode, por exemplo, acontecer que alguém introvertido comunique mais vontade própria e poder ao cavalo, do que alguém que aparente ser forte e dominador". Para este tipo de terapia, "o animal precisa de ter tido uma boa educação, deixando-se montar sem problemas, manter a sua essência pura e ter uma personalidade forte, mas ser, ao mesmo tempo, paciente."

Não é objectivo das psicólogas "ensinar a montar. As mulheres incluídas nesta terapia devem, sim, aprender a conhecer-se a si próprias, através do cavalo". Por isso, elas podem sentar-se em cima do animal, apenas para o abraçar. "Isto é particularmente importante para mulheres que tenham dificuldades em confiar nos outros e em aceitar o contacto corporal."



Uma das pacientes diz: "O contacto com os cavalos ensinou-me a ser mais despreocupada. Noto, de todas as vezes, como tiro benefícios do facto de ousar algo. Prescindimos de muito, quando andamos pela vida com o travão de mão permanentemente accionado." (Em Português, talvez disséssemos "permanentemente de pé atrás").

Nota: a ideia de usar animais em psicoterapia vem dos anos 60. O psicólogo infantil Boris M. Levinson constatou que conseguia "alcançar" melhor um dos seus pacientes, uma criança desprezada e introvertida, quando esta levava o seu cão para as consultas.

Nota 2: a instituição alemã St. Raphael, da Caritas, de apoio a crianças deficientes, inclui, no seu programa, lições de equitação, a fim de ajudar as crianças a vencerem os seus medos, aumentar a sua auto-estima e a tornarem-se mais autónomas.


27 de novembro de 2011

Fado

A propósito da classificação do Fado como Património Imaterial da Humanidade, lembrei-me de um texto que escrevi para o Delito de Opinião, respondendo ao amável convite do Pedro Correia, e que tornei a publicar aqui no Andanças. O seu título era Herança Islâmica e eu citava o lindíssimo livro de Adalberto Alves, Em busca da Lisboa Árabe (Edições CTT, 2007).





Adalberto Alves fala-nos no drama vivido pelos últimos mouros em terras portuguesas, depois de D. Manuel I decretar, em 1496, a expulsão do reino de todos os que não se convertessem à fé católica. Muitos conseguiram simular uma integração, mas ficaram sujeitos às mais variadas atribulações, no que constituiu um dos maiores dramas da História da Península do século XVI. Como nos diz o autor na obra referida: “transformados em marginais, rufiões e desclassificados, ébrios de fatalidade, frequentavam ainda Alfama e Mouraria vagueando como fantasmas gastos, sob a pálida memória dos seus antepassados”; “inventam um género musical e com ele cantam o seu fado”; “ao percorrermos certas alfurjas esquecidas de Lisboa antiga, parece sentirmos ainda como que os ecos longínquos desses fados esquecidos, onde o árabe se enroupava em português para exprimir o lamento dos humilhados do destino.”

No livro, é ainda reproduzida, na página 147, uma fotografia do autor na companhia de Amália Rodrigues, que, como Adalberto Alves nos diz, “estava intimamente convicta da parentela entre o fado e a música árabe, que muito apreciava”.

Eu sei que esta teoria é polémica, mas eu acredito nela. E seria bom que os portugueses, a propósito desta classificação, se lembrassem dos mouros; se lembrassem de que a herança islâmica é muito forte no nosso país; referissem que essa herança terá tido mais importância para a formação do nosso carácter do que o que se costuma aceitar; referissem que, se não fossem os mouros, talvez não existisse o Fado.

26 de novembro de 2011

Da nossa relação com os animais II

O labrador retriever Barney é um cão muito especial, pois colabora com os professores numa escola de Hamburgo.

A ideia surgiu de uma das professoras que, desde miúda, sonhava ter um cão. Mas como dar a atenção devida a um animal, quando a família se ausenta de casa, durante a maior parte do dia, a fim de cumprir os seus compromissos profissionais e escolares? Quando ouviu falar de cães que colaboram com escolas, ela propôs isso mesmo ao seu Director, a fim de poder levar o animal para o local de trabalho. O Director concordou e diz-nos, agora: "O Barney conseguiu, em pouco tempo, conquistar-nos a todos, mesmo os colegas mais renitentes. Com a sua aura sossegada e equilibrada, consegue estabelecer uma atmosfera descontraída na sala de aula."



Um aluno do 8º ano varre a sala com gosto, para que todos se possam sentar no chão, ou ajoelhar-se, junto de Barney . Nos 3º e 4º anos, há aulas opcionais sobre animais domésticos, as crianças têm ocasião de examinarem as patas e os dentes do cão, perdendo, assim, o medo e tornando-se mais seguras de si, também no seu contacto com outros humanos.

Uma aluna de 13 anos diz-nos: "Quando contamos alguma coisa ao Barney, temos a sensação de que ele entende tudo". E o Director completa: "A presença do cão acalma as crianças, muitas delas vêm sentar-se ao pé dele, quando não se sentem bem, ou algo as preocupa."

Nota: Este projecto só foi possível graças à colaboração de um professor reformado, que vai todos os dias à escola, a fim de levar o cão a passear, enquanto a sua dona está a dar aulas. Também nem todos os cães se adaptam a este tipo de tarefa, a raça labrador retriever foi propositadamente escolhida para o efeito (também é um bom guia de cegos). Além disso, o cão tem de ter uma educação conforme, um animal que passe muito tempo sozinho e desprezado dificilmente estará à altura. Para ser feliz, um cão tem de se sentir integrado e levado a sério. Deve, ainda cachorro, ir para a escola, a fim de se habituar à agitação e ao barulho das crianças, quanto mais cedo, melhor. E, sentindo que aquela é a sua tarefa (todos os cães são mais felizes, quando têm uma tarefa a cumprir) cumpri-la-á até o fim.

Em Hamburgo, além de Barney, há mais quatro cães reconhecidos oficialmente como "cão da escola". Em toda a Alemanha, há 90 escolas, sobretudo as especializadas em crianças com dificuldades, que contam com a ajuda dos assistentes caninos.

24 de novembro de 2011

Passatempo (VI)



Um passatempo muito especial no Dos Meus Livros, do Manuel Cardoso. Para ganhar um exemplar do D. Dinis, autografado e com dedicatória, terá de escrever um parágrafo, sobre a figura histórica em questão, que não exceda os 800 caracteres (umas dez linhas em Times 12). O prémio será atribuído ao texto mais criativo.

Não deixar saudades

Pobre dele? Coitado? Infeliz? Deus se compadeça? Desconhecemos as razões, mas era mau, mesmo para os que lhe queriam, os do seu sangue.
Trombudo, azedo, arrogante, violento, cheio de si. A soco e pontapé, com o cinto, à varada, mais de cinquenta anos bateu na mulher, nos filhos, na mula, no cão, nas galinhas que se lhe atravessavam no caminho. Desdenhoso, olhando de esguelha, as boas-horas, se as dava, saíam-lhe dentre os lábios como a cuspir um insulto.
É terrível, este sentimento: alguém morre e não deixa saudade.

Surripiado ao Tempo Contado.

22 de novembro de 2011

"Fazei, pois, e observai tudo o que eles disserem...

"... mas não imiteis as suas obras, pois eles dizem e não fazem."
(Evangelho segundo São Mateus, 23,3)

Segundo São Mateus, já Cristo chamou a atenção para o facto de haver pessoas, neste caso, os fariseus, que fazem o contrário daquilo que dizem. Infelizmente, pais educadores e professores não fogem à regra. E como querem os pais filhos bem educados, se eles próprios não dão o exemplo?

Uma autora alemã, Gundula Gause, num livro em que dá conselhos de educação, diz o seguinte:

O melhor método de transmitirmos boas maneiras aos filhos é através do exemplo. Todos devíamos cultivar valores como o bom comportamento, a amabilidade, a pontualidade, a solidariedade e o respeito. Não devemos, aliás, repreender os filhos diante dos outros, mas fazê-lo mais tarde, com calma.

Num jornal católico alemão, são apresentados testemunhos de crianças sobre a contradição em que os pais, educadores e professores, muitas vezes, caem:

O meu pai diz-me sempre que não devo começar a fumar, mas ele fuma. E nem pensa em deixar.

Os pais dizem sempre que devemos usar capacete ao andar de bicicleta, mas, quando os meus pais andam de bicicleta, nunca usam capacete.

A minha mãe zanga-se sempre quando está a falar e nós a interrompemos. Mas ela está sempre a interromper-nos, quando falamos.

Os idosos dizem sempre que são os jovens que devem cumprimentar e não o contrário. Mas, quando nós cumprimentamos muitos dos idosos da nossa vizinhança, a maior parte não responde, alguns até olham para o lado.

A minha mãe diz-me que não devo ver tanta televisão, mas ela vê muito mais do que eu.

Um professor disse-nos, uma vez, que não queria ouvir nunca a palavra "merda". Mas uma vez, quando tentava mostrar-nos um vídeo e a televisão não funcionava, berrou: "Mas que merda é esta?"

O meu pai diz: "Vai tirar a louça da máquina", ou "Vai ajudar a tua mãe!" Ele próprio, no entanto, nunca ajuda.

Nas minhas observações do dia-a-dia constato, muitas vezes, que há pais que julgam não precisarem de educar os filhos, limitando-se a dar-lhes um tecto e a alimentá-los.
Sirvamos de exemplo! E lembremo-nos, todos os dias, de que educar crianças não é nenhuma brincadeira de crianças!